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Carta ao Leitor: O combate inteligente

O Brasil está entre os países que apostam no uso intensivo da tecnologia como um dos melhores meios para enfrentar os bandidos

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 15 Maio 2026, 06h00

Na segurança pública, uma área na qual há sempre muito debate a respeito de qual é a melhor política a adotar no esforço para reduzir a criminalidade, parece estar se formando ao redor do mundo algo próximo a um consenso. Ele envolve a percepção de que um dos melhores meios para combater os bandidos é o uso intensivo da tecnologia. O Brasil faz parte do grupo de países que decidiram seguir esse caminho, colhendo até aqui resultados promissores na aposta. Uma das faces mais visíveis da estratégia é o investimento em câmeras de reconhecimento facial. Por aqui, há mais de 100 000 equipamentos do tipo em operação, responsáveis diretamente por cerca de 5 500 prisões por ano de foragidos da Justiça — muitos deles eram autores de delitos como homicídios e sequestros e, mesmo assim, ficaram livres da cadeia por anos, até serem flagrados pelos espiões eletrônicos nas ruas e em outros locais públicos, como portas de estádios de futebol.

A onda das câmeras de monitoramento é o que mais evidencia a utilização da tecnologia, a forma mais inteligente de combate ao crime. Como mostra reportagem desta edição, o arsenal de novidades inclui ainda drones, modelos sofisticados de mapeamento e de prevenção de crimes, câmeras de leitura automática e inteligente de placas de veículos, equipamentos de raio X que permitem ver através de paredes, modernas técnicas de identificação genética e até a proliferação, após alguma resistência, das bodycams, as câmeras corporais nos uniformes dos policiais militares, que hoje já são rotina nas corporações de ao menos quinze estados. Em outra frente importante, há a expansão dos recursos da inteligência artificial. Um dos modelos que mais têm se espalhado é a chamada análise preditiva, um conceito que envolve o uso da tecnologia para mapear locais com maior incidência de crimes (os hotspots), detectar padrões e recorrências e, com isso, prevenir novos delitos e desencadear operações mais eficientes de asfixia.

Evidentemente, o conjunto dessas ferramentas não representa uma bala de prata contra o problema da segurança, uma das maiores preocupações dos brasileiros hoje. A violência vem produzindo tragédias diárias em todos os cantos do país, e a população, cada vez mais acuada, passou a adotar novos hábitos e rotinas para tentar se proteger dos ladrões. Cobrado de forma constante a apresentar soluções, o governo federal lançou, na terça-feira 12, o Programa Brasil Contra o Crime Organizado, que terá investimentos de 11 bilhões de reais, sendo 1 bilhão de reais em aporte direto e 10 bilhões de reais em linhas de crédito para os estados. Parte desse valor será aplicada na compra de equipamentos como drones e câmeras corporais para a polícia. O fato de a iniciativa ter sido apresentada no apagar das luzes da atual gestão, e em meio à campanha de reeleição do presidente Lula, recebeu merecidas críticas. A escalada da criminalidade virou uma chaga nacional e a solução certamente não virá a partir de ações improvisadas e com forte cheiro eleitoreiro.

Publicado em VEJA de 15 de maio de 2026, edição nº 2995

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