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Carnaval da bajulação financiada com dinheiro público fragiliza Lula e fortalece Flávio em pesquisa

Num cenário de escândalos de corrupção e alto custo de vida, folia na Sapucaí deteriorou a imagem do presidente, mostra Atlas Bloomberg

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 fev 2026, 12h30 • Atualizado em 25 fev 2026, 15h11
  • Em julho do ano passado, Lula comandava um governo sufocado por escândalos de corrupção, com baixa influência política no Congresso e sem conexão com a sociedade — já farta de tantos impostos e de tanto desperdício de recursos públicos na gestão petista.

    Gastando muito e gastando mal, Lula parecia caminhar para um revés nas urnas. Os aliados começavam a pular do barco e o petismo, sem discurso, flertava com a reciclagem de velhas jogadas como o “nós contra eles”.

    Tudo mudou quando a família Bolsonaro, a pretexto de tentar evitar a prisão de Jair, detonou a bomba intervencionista de Donald Trump. O tarifaço ressuscitou o petista, que passou a empunhar a bandeira da soberania nacional, diante das ameaças de Trump — em nome de Bolsonaro — contra todo o setor produtivo brasileiro.

    A falta de rumo já não era um problema. Lula ganhou de presente uma agenda — e aproveitou. Os meses se passaram com relativa melhora na situação do petista nas pesquisas.

    Fracassada a missão intervencionista nos Estados Unidos, a direita parecia destinada a morrer presa na agenda familiar do clã Bolsonaro, discutindo anistia, redução de penas, perseguição ao STF e outras questões distantes da realidade do país.

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    Sem discurso ou programa a oferecer ao eleitorado, a oposição a Lula teve de engolir a seco uma pré-candidatura decidida na cadeia, por um cacique interessado apenas em beneficiar a própria família, sem nenhum diálogo com as forças de centro e de direita.

    Flávio Bolsonaro se anunciou pré-candidato tendo uma montanha a escalar nas pesquisas até se viabilizar como desafiante de Lula. Nessa ciranda da polarização, foi a vez de o petista presentear o adversário.

    O Carnaval na Sapucaí mostrou Lula se refestelando num ambiente de nudez e bebidas financiado com dinheiro público, onde o profano, além de bajular sua figura, decidiu zombar do sagrado, ao ironizar famílias conservadoras. O rebaixamento da escola que homenageou Lula na Sapucaí coroou o desastre.

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    Recém-chegado de um giro por países da Ásia, onde Janja estreou seu novo vestido coreano, o petista foi confrontado com uma nova realidade.

    Antes líder absoluto nas pesquisas, o mandatário, segundo a nova rodada Atlas Bloomberg, não só perdeu eleitores como viu subir as intenções de voto do filho de Jair Bolsonaro. A rejeição ao governo petista subiu na mesma tocada e o empate no segundo turno também fragilizou a imagem de favoritismo do petista.

    Comandando um governo que aumenta impostos e sufoca o contribuinte para poder gastar mais, Lula está novamente num mau momento. Seu governo está prestes a ser desmontado por uma grande debandada de ministros que tentarão a sorte nas urnas. Chefe de um governo de secretários-executivos – que substituirão os titulares –, o petista tem pouco tempo para ensaiar uma retomada.

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    A nova pesquisa assombra o Planalto por sugerir que toda a gastança dos últimos meses – com inúmeros benefícios: Minha Casa, Minha Vida, vale gás, isenção de IR, luz de graça, BPC, Bolsa Família, Pé-de-Meia, Farmácia Popular, Prouni… – não comoveu o eleitorado.

    Mais do que sobreviver de medidas populistas, o brasileiro quer sonhar com um futuro melhor e ter governantes que ofereçam um roteiro até a prosperidade. A sorte de Lula é que Flávio, até aqui, é um deserto de ideias e programas para o país.

    Em todo seu terceiro mandato, Lula sempre comandou um governo que levava o país “na direção errada”, segundo as pesquisas. Ao mesmo tempo em que distribuiu dinheiro, o governo petista expandiu gastos que pressionaram a inflação – alimentando uma grave crise fiscal –, corroendo o poder de compra das famílias. Dar com uma mão e tirar com a outra costuma ser péssimo negócio para políticos.

    A folia na Sapucaí só testou ainda mais a paciência do eleitor, diante do descolamento de realidade palaciano. Ainda há tempo para Lula estancar a crise até a campanha – e é provável que a oposição, mergulhada em intrigas internas, volte a ajudar –, mas o alerta das pesquisas está dado.

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