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Campanha de Lula na Sapucaí desafia TSE a mostrar mesmo rigor visto contra Bolsonaro em 2022

Desfile financiado com dinheiro público exibiu fotos do pré-candidato, o famoso jingle de campanha, ironizou e atacou adversários e propagou eleitorais

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 fev 2026, 11h19 • Atualizado em 16 fev 2026, 11h26
  • Os telões nada alegóricos logo na abertura do desfile anunciavam. O desfile que se seguiria por mais de uma hora, com transmissão nacional na TV, seria menos sobre Carnaval, sobre a arte popular, sobre manifestação cultural. O roteiro era exaltação ao pré-candidato que disputará a reeleição.

    Num desafio claro ao TSE, fotos do mandatário em todas as suas fases da vida política eram exibidas em quatro telas que se alternavam na Sapucaí. O famoso jingle de campanha estava lá: “OLÊ, OLÊ, OLÊ, OLÁ, LULA! LULA!”

    Financiado com dinheiro público, o desfile não se preocupou com a legislação eleitoral. Elogios ao candidato, críticas e ironias a seus adversários, exaltação ao PT, seu partido… Artistas simpáticos à causa desfilando. Um roteiro de marqueteiro de campanha.

    Bandeiras políticas que estarão na campanha e que já estiveram em outras disputas eleitorais foram exaltadas. Redução da jornada de trabalho, taxação bilionários, bancos e bets, Luz Para Todos, Prouni, Minha Casa, Minha Vida…

    Para que não ficasse dúvidas, um boneco gigante com o candidato de punho cerrado erguido. Por fim, o desfile do candidato ao lado de outro candidato na avenida.

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    Os puxadores da escola nem precisaram pedir votos. Estava tudo lá explícito e implícito a quem quisesse ver.

    A homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula colocou o TSE em clara posição de constrangimento.

    Os próximos passos da Corte mostrarão o tamanho do descompasso entre a combatividade exibida contra Jair Bolsonaro em 2022 e a benevolência dos tempos atuais.

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    O desfile de Lula fez parecer brincadeira de criança a famosa reunião de Bolsonaro com embaixadores no Palácio da Alvorada — punida pelo TSE por caracterizarem campanha eleitoral antecipada.

    Para quem não lembra, Bolsonaro foi punido — com inelegibilidade de oito anos — por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação por reunião convocada com embaixadores. Mereceu a punição. A lei é para todos e deve ser aplicada a todos.

    O Novo e o PL bolsonaristas já anunciaram ações na Justiça para denunciar a campanha eleitoral antecipada financiada com dinheiro público.

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    O Novo moverá uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral junto ao TSE exigindo a cassação do registro de Lula e sua inelegibilidade.

    Por falta de aviso, não foi. “Não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais areia movediça. Quem entra, entra sabendo que pode afundar”, disse a presidente do TSE, Cármen Lúcia, na semana passada.

    “O Estado Democrático de Direito significa aplicação do direito a todos. Igualmente, não pode ter um tratamento diferenciado nem nos termos da lei, nem nos termos da jurisprudência já aplicada por este Tribunal Superior Eleitoral”, seguiu a ministra.

    Lula e o PT ignoraram tudo e a todos, numa demonstração de que nada do que possa sair do TSE intimidam o oportunismo eleitoreiro. A conferir o que acontecerá.

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