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Bombeiros trabalham com atraso salarial em Brumadinho

Trabalhadores estaduais mineiros não receberam dinheiro do 13° salário em 2018 e estão com vencimentos atrasados

Os bombeiros militares de Minas Gerais vem trabalhando em Brumadinho com atraso salarial. Desde 2016, quando o estado declarou calamidade financeira, os salários de todos os funcionários públicos vem sendo parcelados e o 13° salário de 2018 foi adiado, e será pago em 11 parcelas ao longo do ano.

No último dia 28 de dezembro o governo de Minas Gerais anunciou que adiaria o pagamento do 13° salário por não ter recebido um aporte de 200 milhões de reais do governo federal. Naquela ocasião, o governo, ainda dirigido por Fernando Pimentel (PT), mas sob comando da transição para Romeu Zema (Novo) também reclamou de não ter arrecadado 500 milhões de reais com o leilão de securitização das dívidas do estado.

No dia 29 de janeiro deste ano, a Associação dos Oficiais da Polícia Militar e Bombeiros Militares (AOPMBM) criticou a notícia dada pelo então governador Romeu Zema, que decidiu dividir o 13° salário dos policiais e bombeiros militares em onze parcelas. “Essa notícia conseguiu piorar o que já era ruim”, disse a nota de desagrado. “Parece que a Governança não quer enxergar o caos que a medida acarreta. Famílias estão endividadas, com a renda comprometida, problemas de saúde dos servidores decorrentes desta situação e, a desmotivação começa dar sinais no quartéis na prestação da segurança pública”, disse a nota.

Após a tragédia em Brumadinho, os militares voltaram a criticar a atuação do governo estadual. “Atualmente, parece que estamos no Estado absolutista, onde prospera a vontade do Chefe do Poder em detrimento de seus Servidores. Estamos pagando uma conta muita alta pela má gestão dos políticos anteriores. Destarte é o Executivo que faz a máquina estatal funcionar: arrecadar, fiscalizar, educar e promover a saúde, policiar e socorrer vítimas da tragédia de Brumadinho, para usar um exemplo recente”, completou a nota assinada pelo Coronel PM Ailton Cirilo da Silva, presidente da AOPMBM.

Minas Gerais tem 80% de sua receita líquida vai para o gasto com o funcionalismo público. No final de 2018, eram 609 000 servidores públicos no estado. Há três anos o governo mineiro vem parcelando os salários obedecendo o seguinte critério: salários até 3 000 reais eram divididos em uma parcela, os salários entre 3 000 e 6 000 reais divididos em duas parcelas e salários superiores a 6 000 reais divididos em três parcelas. O parcelamento iniciou-se na gestão de Fernando Pimentel e segue na gestão de Romeu Zema.

A AOPMBM disse que vem negociando desde o governo passado o fim do parcelamento e pagamento completo no 5° dia útil de cada mês. A associação já se reuniu com o vice-governador Paulo Brant, com comandantes-gerais da Polícia Militar e Corpo dos Bombeiros, além das entidades da categoria militar e a Associação dos Auditores Fiscais de Minas Gerais (AFFEMG) a Sindifisco e o Sindicato dos Servidores da Tributação, Fiscalização e Arrecadação do Estado (SINFFAZFISCO) para entender uma forma mais ampla para conseguir novas fontes de receita para o Estado, para normalizar a situação dos servidores.