BNDES apresenta lucro recorde no 1º trimestre
Resultados do Banco incluem ativos próximos de R$ 1 trilhão e crescimento acelerado do crédito em infraestrutura, indústria e pequenas empresas
O lucro recorrente recorde de R$ 3,1 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no 1º trimestre de 2026 e o acumulado de R$ 15,6 bilhões em 12 meses evidenciam, com outros indicadores, que a instituição pôs o pé no acelerador. Como resultado, está entregando mais investimento em infraestrutura, na indústria, na agropecuária e no setor de comércio e serviços. Os dados foram anunciados no escritório do Banco em São Paulo no último dia 12.
Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, os resultados mostram que o Banco voltou a ocupar posição estratégica no financiamento da economia brasileira. “O mais importante é o crescimento com qualidade. Quando temos carteira e ativos, significa que temos fôlego e estamos prontos para os desafios à frente”, disse.
Mais crédito, mais investimentos
A expansão do crédito aparece em todos os setores. Na indústria, os desembolsos cresceram 67%, chegando a R$ 8 bilhões. Na infraestrutura, o aumento foi de 51%, alcançando R$ 13,4 bilhões. E a agropecuária avançou 40%, atingindo R$ 9,1 bilhões.
As aprovações de crédito cresceram 37% no trimestre, atingindo R$ 45,7 bilhões, e os desembolsos somaram R$ 36,2 bilhões, avanço de 44% em relação ao primeiro trimestre de 2025. As consultas por financiamento alcançaram R$ 84,4 bilhões no trimestre, crescimento de 65% frente ao mesmo período de 2025.
Segundo Mercadante, o aumento das consultas mostra que as empresas voltaram a enxergar o BNDES como parceiro relevante para projetos de longo prazo. “Cada vez temos mais projetos chegando”, ressaltou.
Rumo a R$1 trilhão
Os ativos totais do Banco atingiram R$ 995 bilhões ao fim de março, maior valor nominal da história da instituição, com alta de 45% ante 2022. A carteira de crédito expandida (que inclui debêntures e outros ativos) chegou a R$ 678,2 bilhões, o maior patamar desde 2016, e o patrimônio líquido alcançou nível recorde.
“Recebemos um banco com R$ 131 bilhões de patrimônio líquido, R$ 674 bilhões de ativos e apenas R$ 16 bilhões em caixa livre. Hoje estamos próximos de R$ 1 trilhão em ativos, com quase R$ 200 bilhões de patrimônio líquido e cerca de R$ 60 bilhões em caixa”, pontuou Alexandre Abreu, diretor financeiro e de mercado de capitais.
Outro indicador destacado foi a inadimplência: o índice do BNDES ficou em 0,046%, muito abaixo da média do Sistema Financeiro Nacional, que encerrou março em 4,33%.
Pequenas empresas e infraestrutura
Parte importante da expansão vem do avanço das aprovações para micro, pequenas e médias empresas. Somando crédito e garantias, o apoio ao segmento alcançou R$ 49,8 bilhões no trimestre, aumento de 44% sobre o mesmo período de 2025.
Segundo Mercadante, o segmento continua sendo uma das prioridades do Banco, especialmente em um cenário de juros elevados e maior seletividade no sistema financeiro. “Qual é a grande dificuldade do micro, pequeno e médio empresário para ter acesso ao crédito? É a garantia”, afirmou.
O setor público (que inclui estados e municípios) também passou a ocupar mais espaço na carteira da instituição. Entre janeiro de 2023 e março de 2026, a média anual de aprovações para entes públicos foi de R$ 12,6 bilhões, nove vezes a média do quadriênio anterior. A performance foi impulsionada por projetos de mobilidade urbana, infraestrutura logística, adaptação climática e resiliência urbana
Foco em uma economia maior
Os resultados reforçam a estratégia que o BNDES vem defendendo desde 2023: ampliar o financiamento de longo prazo sem comprometer a solidez financeira da instituição.
Durante a apresentação, o diretor de planejamento e relações institucionais, Nelson Barbosa, ressaltou que 63,6% dos desembolsos dos últimos 12 meses foram a taxas de mercado, com incentivos destinados a finalidades específicas, como programas emergenciais, Plano Safra, transição climática e inovação.
Atualmente, os desembolsos do BNDES equivalem a cerca de 1,4% do PIB. A expectativa é aproximar esse percentual novamente da faixa de 2%, observada antes da crise de 2008. “É uma recuperação gradual, consistente e responsável”, afirmou Nelson Barbosa. “O BNDES ajuda o crescimento da economia





