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Bicheiros escondiam fortuna no esgoto

Dinheiro estava em sacos na tubulação de uma mansão na Barra da Tijuca. Dentro da casa, a polícia encontrou mais dinheiro, joias e réplica de fuzil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro encontrou na manhã desta terça-feira um montante estimado em 2 milhões de reais numa mansão na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, que está em nome do tio do bicheiro Hélio de Oliveira, o Helinho, presidente da escola de samba Grande Rio. O dinheiro estava escondido em sacos na tubulação de esgoto, onde também foram jogados registros de contabilidade da contravenção. O imóvel é avaliado em 5 milhões de reais.

Agentes da Corregedoria da Polícia Civil e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) foram ao local cumprir mandado de busca e apreensão, além de um mandado de prisão contra Helinho, que é alvo da operação “Dedo de Deus”. Dentro da casa, foi apreendida outra grande quantidade de dinheiro, em reais, euros e joias. Também havia uma réplica de fuzil AK-47.

A mansão na Barra da Tijuca cercada pela polícia: 2 milhões de reais escondidos no esgoto A mansão na Barra da Tijuca cercada pela polícia: 2 milhões de reais escondidos no esgoto

A mansão na Barra da Tijuca cercada pela polícia: 2 milhões de reais escondidos no esgoto (/)

Também na manhã desta terça-feira, foi deflagrada outra ação contra os bicheiros do Rio, comandada pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública com o apoio Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado (Draco) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. A operação, batizada de Tempestade no Deserto, tem por objetivo o cumprimento de oito mandados de prisão e outros 11 de busca e apreensão para desarticular uma quadrilha acusada de envolvimento em homicídios e outros crimes relacionados a uma disputa de poder pelo espólio do contraventor Waldomiro Paes Garcia, o Maninho.

Na ação, um policial, o tenente da PM João André Ferreira, lotado na Diretoria Geral de Pessoal (DGP) da Polícia Militar, foi preso em sua casa, na Ilha do Governador, na Zona Norte. Ele é acusado de pertencer a uma quadrilha ligada à contravenção. Outro policial do DGP, o capitão da PM Adriano Magalhães da Nóbrega, também está sendo procurado sob acusação de integrar a mesma quadrilha. Ele não foi encontrado em seu apartamento, na Barra da Tijuca.

Na semana passada, a polícia já havia prendido 44 pessoas ligadas ao jogo do bicho durante a operação “Dedo de Deus”. Entre eles, estava o ex-prefeito de Teresópolis, Mário Tricano. A investigação teve início na Região Serrana do estado, após uma das quadrilhas ter tentado coagir comerciantes de Teresópolis para conseguir implantar novos pontos de bicho. Uma das cenas marcantes da ação foi a chegada cinematográfica da polícia ao apartamento do bicheiro e presidente da Beija-Flor de Nilópolis, Aniz Abrahão David, o Anísio. Depois de um sobrevoo de helicóptero, os policiais desceram de rapel num prédio de luxo, localizado na Praia de Copacabana.