Avanço de Flávio nas pesquisas tira Lula da sombra, que corre para formar palanques no país
Petista tenta articular aliados nos estados para conter impopularidade do governo e frear a escalada de Flávio Bolsonaro nas intenções de votos
O presidente Lula começou o ano confortavelmente instalado na posição de imbatível nas pesquisas sobre a corrida ao Palácio do Planalto. Os números davam ao petista a vitória contra qualquer oponente listado pelos institutos.
Tudo começou a mudar a partir do samba atravessado na Sapucaí e a consolidação de velhos problemas brasileiros.
Sem o motor das crises fabricadas por Donald Trump para lhe garantir agenda e popularidade, o petista voltou a ter que lidar com um governo sem discurso, com escândalos de corrupção batendo à porta, a má gestão de recursos públicos e a degradação da renda dos trabalhadores e beneficiários de programas sociais.
Até quem vota em Lula contra quem quer que seja da direita está insatisfeito com o avanço da inflação, cavada pelos gastos crescentes da máquina petista. Foi nesse contexto que Flávio Bolsonaro chegou, nos últimos dias, a empatar com Lula nas pesquisas sobre o segundo turno da eleição. O avanço do filho de Bolsonaro coincidiu com a degradação da popularidade e das intenções de votos do petista.
Ainda que mergulhada em confusões geradas pelo clã Bolsonaro, a oposição passou as últimas semanas jogando mais aberta na consolidação de palanques estaduais. Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Bahia já apresentam nomes anunciados para o confronto contra o petismo. Lula, por outro lado, sequer pode cravar quem será o vice na campanha.
Ciente de que o tempo não é companheiro em ano eleitoral, o petista resolveu trabalhar. Chamou Fernando Haddad e Geraldo Alckmin para uma conversa sobre a disputa em São Paulo. Já fez afagos a Rodrigo Pacheco para montar o palanque em Minas e tende a seguir analisando os cenários postos em outros estados.
Com o governo entrando no terceiro mês deste último ano de mandato, Lula lida com o pior dos cenários no governo. Seus ministros, dispersos em negociações pessoais para a campanha nos estados, ampliam o vácuo de discurso do governo nas redes, principal arena utilizada pela oposição para fortalecer Flávio e fragilizar o petismo.
Sem obras vistosas a apresentar, Lula se ampara no discurso de pai dos pobres, evocando todos os gastos com programas sociais no atual mandato. A estratégia, no entanto, já não encanta o eleitorado — e é aí que mora o problema.
Se não há discurso em Brasília para comover o país a cogitar a reeleição de Lula, é preciso que os aliados estejam nos estados travando o debate em defesa da gestão petista. Há muito trabalho para que Lula consiga, enfim, montar um exército capaz de levar seu nome ao Brasil profundo. Daí a urgência repentina do petista.





