As vidas soterradas na tragédia em Minas Gerais
O desastre em Juiz de Fora mobilizou autoridades, como a prefeita Margarida Salomão (PT), o governador Romeu Zema (Novo) e até o presidente Lula
Na virada da noite, de segunda-feira 23 para terça-feira 24, o temporal que atingiu Juiz de Fora, na Zona da Mata em Minas Gerais, com volume de água bem acima da média, fez o Rio Paraibuna, que corta a área urbana, subir quase 2 metros, extravasar sua calha e tomar ruas, avenidas, casas e lojas. O alto volume causou deslizamentos em várias partes da cidade — foram quase 600 ocorrências desse tipo atendidas pela Defesa Civil —, provocando desabamentos de imóveis, espalhando lama e entulho pelas vias e, mais grave, deixando quarenta mortos, segundo contabilidade feita até quinta 26. O drama se arrastou por horas, enquanto Defesa Civil, bombeiros e voluntários promoviam uma luta incansável em busca de duas dezenas de pessoas desaparecidas, muitas soterradas por montanhas de destroços deixadas pela espiral de destruição que veio dos morros. “Eu escutei aquele estrondo, veio tudo descendo, saí correndo para salvar minha filha e meus netos”, conta Maria Helena Batista, moradora do Parque Burnier, um dos mais devastados. O cenário se repetiu na vizinha Ubá (seis mortos). Nos mesmos dias, Rio de Janeiro e litoral de São Paulo tiveram problemas semelhantes, mas em escala menor. O desastre em Juiz de Fora mobilizou autoridades, como a prefeita Margarida Salomão (PT), o governador Romeu Zema (Novo) e até o presidente Lula. Esse episódio trouxe à tona novamente velhos problemas, como a ocupação irregular de encostas e o despreparo dos municípios para as mudanças climáticas. É preciso adotar medidas preventivas. Caso contrário, essas cenas tristes vão se repetir.
Publicado em VEJA de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984





