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Após revogação de habeas corpus, Justiça do Rio determina prisão preventiva de Oruam

Oruam teria deixado tornozeleira sem bateria por intervalos de até 10 horas, numa violação da medida cautelar

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 fev 2026, 13h01 • Atualizado em 3 fev 2026, 14h30
  • A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta terça-feira, 3, a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam. A decisão foi proferida pela juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogar o habeas corpus do artista. Segundo a determinação da corte, Oruam deixou a tornozeleira sem bateria por intervalos de até 10 horas, numa violação da medida cautelar, entre 30 de setembro e 12 de novembro do ano passado.

    No processo, a defesa de Oruam alegou que as ações “demonstram mero descarregamento de bateria e não qualquer tipo de desrespeito geral ou específico, nem o descumprimento de outras cautelares, afastando qualquer argumentação que sustente a necessidade de retorno ao regime prisional ou qualquer tipo de agravamento”. Os advogados também indicaram que o equipamento apresentava problemas e que o cantor foi chamado à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) para trocá-lo. A defesa planeja recorrer da decisão.

    Por sua vez, o relator Joel Ilan Paciornik, ministro do STJ, contrapôs que “a inobservância reiterada da obrigação de manter a tornozeleira eletrônica carregada não caracteriza mera irregularidade administrativa, mas comportamento que revela risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal”. Ele afirmou que o mau uso do dispositivo e o “desrespeito do acusado para com as medidas cautelares impostas” levam a crer que há risco de fuga por parte do rapper.

    + Justiça revoga habeas corpus e Oruam deve voltar à cadeia

    Além disso, o ministro apontou que Oruam “denota não guardar qualquer respeito, não somente às autoridades policiais, mas também às decisões judiciais”. Paciornik salientou que a prisão não representa uma antecipação de pena, sendo necessária para que o devido processo penal seja cumprido sem intercorrências. O artista é acusado pelos crimes de tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal, incluindo denúncias por duas tentativas de homicídio qualificadas.

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    O caso remonta a 22 de julho do ano passado, quando agentes foram até a casa de Oruam — localizada no Joá, na Zona Sul do Rio de Janeiro — para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um menor, acusado por atos infracionais análogos a roubo e tráfico de drogas, que estava na casa do rapper. De acordo com a Polícia Civil, o adolescente seria integrante de uma facção criminosa, um dos maiores ladrões de veículos do estado e o segurança pessoal do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca. O cantor teria incitado a resistência policial ao lado de cerca de oito pessoas.

    No ano passado, Oruam ficou 69 dias preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro. Músico de sucesso, ele é filho de Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, preso há quase três décadas e chefe histórico do Comando Vermelho. Com a decisão desta segunda, pode retornar à cadeia caso um novo mandado de prisão seja expedido.

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