Após chamar médicos de ‘idiotas’, secretário de Saúde do Rio diz a VEJA que ‘falta senso’
Na véspera, médicos e enfermeiros protestaram em frente à Prefeitura, no Centro, por reajuste salarial; Daniel Soranz afirma que momento é 'inoportuno'
O secretário de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, entrou no centro de uma polêmica nesta terça-feira, 10, ao chamar de “meia dúzia de idiotas” médicos e enfermeiros que protestavam em frente à Prefeitura, no Centro, por reajuste salarial e contra problemas do sistema de saúde carioca, como falta de medicamentos e insegurança. Em entrevista a VEJA, Soranz não voltou atrás no insulto, justificando que os profissionais não apresentaram “empatia” ao aderirem a uma greve enquanto a cidade enfrentava uma “situação supercrítica”, em referência às fortes chuvas.
“Minha crítica é que não é o momento. Depois de uma chuva fortíssima na cidade, numa situação supercrítica, profissionais, até de uma madrugada, tirando água de unidade, indo a casa de moradores para fazer orientação sobre como se cuidar, algumas pessoas, foram muito poucas, abandonaram seus postos de trabalho no momento que a comunidade precisa muito”, disse Sonraz a VEJA.
“Minha fala é clara e objetiva: há uma falta de empatia e falta de senso de oportunidade”, acrescentou. “É óbvio que ninguém vai reclamar das pessoas se manifestarem, se colocarem no direito de greve.”
O secretário argumentou que o ato “poderia ser feito um dia depois, poderia ser feito dois dias depois” e ponderou: “No dia seguinte da chuva, quando a população esperava que aqueles profissionais estivessem lá atendendo, não é oportuno, infelizmente”. Ele também afirmou que “falta honestidade intelectual” e definiu como “covardes e desleais” as acusações de que é contrário a qualquer forma de paralisação.
“Esse movimento não representa a massa dos nossos funcionários e desconsidera o contexto nacional. Desconsidera que, em comparação a outros municípios, a outros locais do país, o Rio vem avançando a cada dia”, continuou Soranz. “É um movimento que tem um componente político expressivo.”
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‘Quebra de promessa’
Nas redes sociais, o sindicato afirmou que os protestos acontecem após a “quebra de promessa do pagamento retroativo das variáveis e do pequeno reajuste salarial, além da atenção a outras reivindicações por melhores condições”. Ao menos 150 pessoas participaram do ato. Cerca de 70% do efetivo continua a trabalhar. Os médicos, em particular, iniciaram uma outra paralisação até 11 de fevereiro, com 50% do atendimento mantido. A associação também condenou a declaração do secretário.





