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Anchieta, um santo para o Brasil

A canonização do padre jesuíta, marcada para 2 de abril, consolida a relevância de um personagem decisivo para a construção do catolicismo no país

Por Adriana Dias Lopes 8 mar 2014, 01h00

“De janeiro até o presente se fez ali uma pobre casinha feita de torrão e palhas com catorze passos de comprido e doze de largo, moravam bem apertados os irmãos. Ali tinham escola, enfermaria, dormitório, refeitório, cozinha e despensa (…). As camas eram redes, os cobertores o fogo. Para mesa usavam folhas de bananas em lugar de guardanapos (…). A comida vem dos índios, que nos dão alguma esmola de farinha e algumas vezes, mas raramente, alguns peixinhos do rio e, mais raramente ainda, alguma caça do mato (…). Todavia não invejamos as espaçosas habitações, pois Nosso Senhor Jesus Cristo dignou-se morrer na cruz por nós.”

Com essas palavras o je­suí­ta espanhol José de Anchieta descreveu, em agosto de 1554, as instalações do Colégio de Piratininga, o embrião da cidade de São Paulo (onde hoje está o Pátio do Colégio) e do sistema edu­cacional brasileiro, ancorado no exem­plo das escolas de Portugal e Espanha. A descrição encontra-se em uma das inúmeras cartas de Anchieta enviadas a Roma ao basco Inácio de Loyola, o fundador da Companhia de Jesus. Além de conter um valioso diagnóstico do cotidiano social e cultural dos primeiros anos do Brasil colônia, o relato do jesuíta revela um homem de fé, abnegado, caridoso. “Tais qualidades acompanharam cada passo de Anchieta até o fim de sua vida no Brasil”, diz o cardeal dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. Se tudo correr dentro do previsto, no próximo dia 2 de abril, o papa Francisco, também jesuíta, declarará Anchieta santo da Igreja Católica.

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