Agentes da Abin criticam falta de estrutura diante de crise na Venezuela: ‘Mãos atadas’
Servidores cobram melhores condições de trabalho para evitar sucateamento do órgão
Uma das funções da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) é elaborar relatórios que possam auxiliar o governo federal a enfrentar desafios que coloquem em risco a segurança e a soberania brasileiras. No entanto, desde o começo do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, servidores do órgão se queixam da falta de investimentos no setor.
Não é diferente neste momento diante da crise aberta entre Estados Unidos e Venezuela, que se aprofundou no sábado, 3, quando uma ação militar rápida derrubou o ditador Nicolás Maduro do poder. Em nota divulgada nesta quarta-feira, 7, por meio da União dos Profissionais de Inteligência de Estado (Intelis), que representa os funcionários a Abin, os funcionários afirmam estar de “mãos atadas” para antever e enfrentar os desafios crescentes à soberania brasileira.
Em junho do ano passado, servidores da Abin ameaçaram greve em uma tentativa de conseguir melhorar as condições de trabalho. Na ocasião, os agentes expressaram indignação com as denúncias envolvendo a cúpula do órgão que resultaram em indiciamentos pela Polícia Federal (PF) do atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Correa. Ele foi apontado pela Polícia Federal como responsável por obstrução da investigação, prevaricação e coação no curso do processo — o que ele nega. Durante o governo de Jair Bolsonaro, segundo a PF, o órgão foi utilizado para espionar desafetos do então governo.
Na ocasião, servidores da Abin afirmaram, por meio de nota, que era momento de dar um basta na situação. “Não há mais o que esperar. É nossa obrigação defender a instituição a qualquer custo”, afirmou um dos agentes. Os servidores também cobram maior diálogo com o governo e citaram outros problemas vividos pela agência, como acusações de assédio institucional, vazamentos de dados sigilosos de agentes durante apurações internas, desvalorização da categoria, ausência de propostas legislativas, cortes orçamentários e a recorrência de viagens internacionais da diretoria.
Íntegra da nota da Intelis:
Os servidores da Abin veem com profunda preocupação a atual situação da Agência para antever e enfrentar os desafios crescentes à soberania brasileira, à autodeterminação dos povos e à paz na América Latina. Esses desafios, entre outros, atravessam eventos cruciais que se avizinham, como as eleições nacionais de 2026, mas encontram uma Abin de mãos atadas, sem condições tecnológicas, orçamentárias e normativas para exercer suas funções essenciais de assessoramento estratégico e proteção nacional.





