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Acusados de matar ialorixá que desafiou o tráfico vão a júri popular na Bahia

Réus atiraram mais de 20 vezes contra Mãe Bernadete por ela resistir à atuação de criminosos na região de quilombo

Por Heitor Mazzoco Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 fev 2026, 12h32 • Atualizado em 23 fev 2026, 12h37
  • Dois acusados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) pelo assassinato da ialorixá e líder do “Quilombo Pitanga dos Palmares”, Maria Bernadete Pacífico Moreira, conhecida como Mãe Bernadete, vão a júri popular nesta terça-feira, 24, a partir das 8h. De acordo com a Promotoria, o mandante do crime e chefe local do tráfico de drogas, Marílio dos Santos, e um dos executores, Arielson da Conceição Santos, serão julgados pelo crime de homicídio qualificado cometido por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. Arielson também responderá pelo crime de roubo.

    “Mãe Bernadete” foi assassinada no dia 17 de agosto de 2023, na sede da associação quilombola, na comunidade de Pitanga dos Palmares, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. Segundo as investigações da Operação Pacific, realizadas pela Polícia Civil com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), a líder religiosa foi alvejada com 25 tiros de arma de fogo em várias partes do corpo, dentro da própria casa, onde estavam três netos dela, de 12, 13 e 18 anos.

    Ela foi executada “por se posicionar de maneira firme contra a expansão do tráfico no Quilombo e pela retirada da barraca de propriedade de Marílio dos Santos, conhecido como “Maquinista”, que era usada para comércio de drogas”, informou o Ministério Público. Os outros três denunciados acusados de participação no crime são Sérgio Ferreira de Jesus, Josevan Dionísio dos Santos e Ydney Carlos dos Santos de Jesus. Eles serão julgados posteriormente em data ainda não definida.

    O crime contra Mãe Bernadete ganhou repercussão internacional. “Eu não esquecerei, e o CNJ continuará se empenhando pelo esclarecimento desse bárbaro assassinato”, afirmou pouco dias depois do crime a então ministra Rosa Weber, à época presidente do Conselho Nacional de Justiça e do Supremo Tribunal Federal (STF). A magistrada aposentada e a líder quilombola haviam se encontrado no dia 26 de julho daquele ano, poucas semanas antes do crime.

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