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A reinvenção de um clássico: como as academias de pilates têm se moldado para atender à geração Z

Atividade centenária, criada durante a Primeira Guerra Mundial, agora incorpora novos traços que chamam a atenção do público jovem

Por Valentina Rocha Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Duda Monteiro de Barros Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 dez 2025, 17h46 • Atualizado em 16 dez 2025, 18h27
  • Durante décadas, o pilates foi associado a pessoas mais velhas em razão de seus exercícios de intensidade leve a moderada, que proporcionam melhor equilíbrio, flexibilidade e fortalecem os músculos. Mas, nos últimos anos, a inserção de séries mais intensas e dinâmicas passou a atrair jovens que, com o período de reclusão da pandemia, começaram a buscar alternativas à musculação que agregassem benefícios à saúde mental e pudessem ser realizados com menos equipamentos e combinando movimentos funcionais. Segundo a plataforma fitness Wellhub, a antiga Gympass, uma das maiores do país, só nos últimos cinco anos, de 2019 a 2024, o número de check-ins de pilates teve um aumento de 277,6%. 

    O método, criado em 1920 por Joseph Pilates, surgiu com o objetivo de reabilitar soldados feridos na Primeira Guerra Mundial – conflito que deixou cerca de 21 milhões de combatentes lesionados. Em 1926, o criador, que até então trabalhava com ex-combatentes na Inglaterra, abriu seu primeiro estúdio em Manhattan, nos Estados Unidos, e aos poucos começou a atrair bailarinos e atletas que visavam se recuperar de contusões e fortalecer os corpos. Em 1990, os benefícios se tornaram conhecidos entre o público leigo e consolidaram o pilates como tendência urbana e “fashion fitness”, atraindo celebridades com a promessa de aliar saúde, estética e flexibilidade. 

    Com o passar do tempo, o método, que era uma alternativa aos meios tradicionais da época, foi engolido por novas tendências e ficou datado, até se reinventar recentemente. Apesar de manter a essência clássica, o formato das aulas que está em evidência hoje em dia não é o mesmo. Diferentemente do modelo original, em que cada praticante executa um exercício diferente, agora, todos os alunos realizam ao mesmo tempo os movimentos indicados pelo instrutor. Equipamentos clássicos, como o Reformer – mesa deslizante com molas, cordas e alças – também ganharam aliados, como halteres e acessórios de academia.

    Aera Piltares oferece salas estruturadas com equipamentos complementares ao Reformer e iluminação elaborada para facilitar os registros das aulas
    Aera Piltares oferece salas estruturadas com equipamentos complementares ao Reformer e iluminação elaborada para facilitar os registros das aulas (Valentina Rocha/VEJA)

    A intensidade também evoluiu. O que antes era visto como uma atividade restrita à reabilitação de músculos e alongamento, passou a oferecer uma sequência de séries que, em alguns casos, pode ser tão eficaz quanto a musculação. “Uma pessoa consegue ganhar hipertrofia, ter um crescimento muscular e manter o condicionamento físico só com o pilates”, destaca o educador físico Victor Gomes, 31 anos, instrutor da Aera Pilates, estúdio na Lagoa, zona sul do Rio. Durante as aulas, que duram cerca de uma hora, as atividades são acompanhadas por músicas animadas que dão ritmo às atividades. “Vamos ter em breve uma aula especial só com músicas da Taylor Swift”, adianta Victor, que revela que as playlists que compõem a trilha sonora das aulas no estúdio são elaboradas por um DJ profissional.

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    Um dos principais focos do novo pilates são os exercícios voltados para o core – parte do corpo que engloba músculos do abdômen, lombar, pelve e quadril. O fortalecimento desta área culmina em maior estabilidade, equilíbrio e postura, além de ser essencial para evitar lesões e aprimorar a realização de movimentos, o que cria uma base sólida essencial para a saúde global. Por isso, não é incomum que seus praticantes tenham um abdômen definido. “O pilates trouxe consciência corporal, flexibilidade e força no abdômen, além dos benefícios de relaxamento, atenção plena e bem-estar geral”, afirma Carol Potengy, modelo de 26 anos, que já sente as melhorias com quatro meses de prática.

    Um dos principais elementos que também aproximam e chamam a atenção dos jovens são as salas dos estúdios. Elaboradas com uma estética ‘instagramável’, os locais oferecem uma disposição de elementos e cores que favorecem a qualidade de fotos e vídeos. Não é para menos: só no TikTok, a hashtag #pilates já ultrapassou 27 bilhões de visualizações e a criação de conteúdo passou a ser uma questão importante não só para as alunas interessadas em compartilhar a rotina, mas para as próprias academias.

    Com mais de 600 alunos de pilates em uma única unidade, a The Simple Gym, situada no bairro de Botafogo, no Rio, oferece até tripés para quem deseja registrar os treinos. A sala é equipada com espelhos e luzes de LED, tudo isso em um ambiente claro, que remonta à estética ‘clean’, tendência entre a nova geração. “A galera passa aqui às vezes entre os treinos só para tirar foto”, comenta  Erik Clepton Moraes da Silva, co-fundador e gerente de operações da rede. Ele explica que o local foi especialmente idealizado e projetado para a geração Z, com a preocupação de integrar elementos que fariam com que eles se sentissem à vontade.

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    The Simple Pilates oferece tripés para alunas que desejam registrar as aulas
    The Simple Pilates oferece tripés para alunas que desejam registrar as aulas (Valentina Rocha/VEJA)

    A pegada futurista vai além dos registros. Na mesma unidade, a academia oferece uma sala exclusiva para treinos transmitidos pela plataforma Lapa Team. A metodologia, criada por Ricardo Lapa, fundador da academia virtual Foguete, combina treinos funcionais e intensivos. No espaço, as aulas podem ser acompanhadas por meio de um telão e realizadas em grupo. “Achavam que era loucura há 15 anos atrás, quando eu criei o projeto. Hoje, as academias fitness digitais são uma realidade, assim como o acompanhamento digital”, conta Lapa.

    A inovação do método centenário, que combina equilíbrio físico e mental, transformou-se em uma alternativa atrativa para o público jovem que busca uma atividade intensa, com baixo impacto e que, claro, gera bons cliques para as redes.

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