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A preocupação da defesa de Jairinho com o julgamento do caso Henry

Defesa do ex-vereador tenta adiar votação com pedido ao STJ

Por Rayssa Motta Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 mar 2026, 16h47 • Atualizado em 11 mar 2026, 17h16
  • A defesa do ex-vereador carioca Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, acusado de matar o enteado, Henry Borel, em março de 2021, pediu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o adiamento do julgamento no Tribunal do Júri, previsto para ocorrer no final do mês. O habeas corpus foi apresentado nesta terça-feira, 10, e distribuído ao gabinete do ministro Messod Azulay Neto, que ainda não despachou.

    Um pedido semelhante foi negado pela Justiça do Rio. A última esperança da defesa é o STJ. O adiamento seria estratégico para Jairinho. Se o julgamento acontecer agora, os jurados que vão decidir seu futuro são os mesmos que participaram de outras sessões com o promotor responsável pelo caso Henry. Na avaliação da equipe jurídica do ex-vereador, a familiaridade pode ser uma vantagem para a acusação. Mas, se a votação for adiada, a defesa poderia pleitear a inclusão do processo em pauta em um novo ciclo de julgamentos, com um grupo diferente de jurados.

    O argumento usado no pedido enviado ao STJ é o de que houve quebra da cadeia de custódia das provas. Os advogados alegam que mensagens encontradas no celular do vereador Leniel Borel, pai do menino, comprovam que ele teve contato com peritos responsáveis pela elaboração dos laudos necroscópicos no Instituto Médico Legal (IML) do Rio e que, por isso, os documentos não deveriam ser usados como prova para convencer os jurados. A Polícia Civil, o Ministério Público e Leniel Borel negam qualquer tentativa de manipular os documentos.

    A equipe jurídica de Jairinho também alega que não teve tempo hábil para analisar todo o material reunido na investigação. O processo tem 20 mil páginas, mas documentos complementares, como relatórios da extração de mensagens de telefones apreendidos, somam milhares de páginas. Na primeira instância, o juiz Renan de Freitas Ongaratto negou o pedido alegando que os diálogos apontados estão disponíveis desde o início da tramitação do processo e que os advogados deveriam ter pedido antes a nulidade dos laudos.

    Se o julgamento for mantido no dia 23 de março, a defesa de Jairinho vai manter a estratégia de tentar desqualificar os laudos e a investigação da Polícia Civil. Os advogados também vão usar a tese de que Henry não morreu no apartamento e sim no hospital, em decorrência das manobras de reanimação.

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