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A explicação do único deputado do PL que votou contra PEC da Segurança Pública

Capitão Augusto (PL-SP) defende que criação de Polícias Municipais é 'desastre' para área, favorece atuação de milícias e impacta orçamentos locais

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 mar 2026, 12h56 • Atualizado em 8 mar 2026, 09h34
  • Único deputado do PL a votar contra a PEC da Segurança Pública, o deputado Capitão Augusto (SP) foi às redes nesta sexta-feira, 6, explicar a decisão. O parlamentar vem sendo alvo de críticas de correligionários e de eleitores da legenda.

    Na justificativa apresentada, o deputado, que também é vice-presidente nacional do PL, diz que o principal motivo pelo qual se opôs à proposta é a criação de polícias municipais. O trecho, um dos mais polêmicos da PEC, autoriza a criação de polícias municipais de natureza civil, destinadas a ações de policiamento ostensivo e comunitário.

    Em documento intitulado “O desastre das Polícias Municipais”, no qual lista dez tópicos principais, Capitão Augusto afirma que a ampliação de prerrogativas da Polícia Militar para as Guardas Municipais traz riscos à segurança pública e à estabilidade institucional.

    Entre os pontos mais latentes, estão o processo de seleção “rigoroso” das Polícias Militares cujas Guardas Municipais não têm — o que, segundo ele, abriria margem para a politização do recrutamento e ingresso de indivíduos sem o devido preparo.

    Outra justificativa, diz o deputado, é o perigo de instrumentalização política das Polícias Municipais pelos prefeitos, sobretudo aqueles eleitos com apoio de facções criminosas. 

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    “Prefeitos poderiam usar essa força para perseguir adversários políticos, ordenando abordagens abusivas, retenção de veículos, multas arbitrárias e até prisões sem justificativa ou com provas plantadas”, afirma. “Em cidades com prefeitos corruptos, uma polícia municipal se tornaria uma milícia institucionalizada, operando sob interesses privados ao invés de servir à população”, argumenta.

    Ao mesmo tempo, o deputado aponta o risco de descontinuidade e de ingerência política sobre o próprio funcionamento das Polícias Municipais — embora o texto aprovado pela Câmara determine que elas sejam sujeitas ao controle externo pelo Ministério Público.

    Segundo o parlamentar, que atuou por três mandatos como presidente da Comissão de Segurança  na Câmara, enquanto as PMs são instituições permanentes e apartidárias, um órgão municipal mudaria “conforme a troca de prefeitos”. Nesse caso, alguns dos efeitos, diz, seriam a descontinuidade nos treinamentos e doutrina policial, nomeações políticas em cargos estratégicos e o desmonte de unidades ou alterações bruscas na estrutura.

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    Impacto orçamentário

    O parlamentar cita, ainda, os impactos orçamentários que a instituição de Polícias Municipais terá, justamente, sobre os municípios, algo que exige “investimento gigantesco” — com despesas como equipamentos, viaturas e salários — e que “a maioria das cidades não tem condições de arcar”.

    “Municípios não possuem experiência na gestão de forças policiais, e muitos não conseguiriam manter corregedorias, treinamentos e infraestrutura adequados. A consequência seria uma polícia mal equipada, mal remunerada e sem condições de prestar um serviço eficiente à população”, defende.

    PEC da Segurança Pública

    A PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025) foi aprovada em segundo turno, na última quarta-feira, 4, pela Câmara dos Deputados. Foram 461 votos a 14 e, agora, o texto seguiu para o Senado.

    A proposta tem objetivo principal promover a integração dos órgãos de segurança e garantir mais recursos para o setor. Entre os trechos aprovados, estão mudanças na estrutura e nas competências de órgãos de segurança, regras mais rígidas para o enfrentamento ao crime organizado e novos mecanismos de financiamento para a área.

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