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A Covid-19 provoca asfixia do sistema de saúde de capitais como Manaus

Considerando o número de infectados por 100 000 habitantes, os estados mais afetados pelo vírus são Amazonas (21,7), Distrito Federal (16,9) e Ceará (15,6)

Por André Siqueira, João Pedroso de Campos Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 10 abr 2020, 10h46 - Publicado em 10 abr 2020, 06h00

Infelizmente, as previsões sombrias de que o coronavírus pode causar um estrago enorme em sistemas de saúde já combalidos pela precária infraestrutura começaram a se materializar no país. Os 899 casos de contaminação e as quarenta mortes registrados no Amazonas até a última quinta, 9, estão abaixo apenas dos números de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. Isso asfixiou a rede de atendimento. O hospital de referência de Manaus para a doença, o Delphina Aziz, está com sua capacidade praticamente esgotada. Problemas como esse provocaram a queda do secretário de Saúde do Amazonas, Rodrigo Tobias. Na quarta passada, 8, assumiu o cargo Simone Papaiz, especialista em gestão hospitalar. “Temos fôlego para mais uma semana”, alerta o governador Wilson Lima.

A situação dramática é um exemplo de como a doença não preocupa hoje apenas os estados do Sudeste, que concentram cerca de 70% das mortes causadas pela Covid-19. Proporcionalmente, considerando o número de infectados por 100 000 habitantes, os estados mais afetados pelo vírus são Amazonas (21,7), Distrito Federal (16,9), Ceará (15,6) e São Paulo (14,6). As estatísticas mostram que a doença se espalhou por mais de 800 cidades do país, a maior parte delas sem armas para enfrentar essa onda avassaladora. Enquanto o ideal é ter uma média de dez a trinta leitos de UTI para adultos no SUS para cada grupo de 100 000 habitantes, no Amazonas há apenas 6,5. Existem ainda quadros mais preocupantes do que esse.

Segundo levantamento de VEJA, até fevereiro, apenas 100 municípios com população entre 200 000 e 500 000 habitantes possuíam UTIs e um quarto delas tinha menos leitos que o recomendado. Prefeitos com poucos recursos reclamam da distância em relação a centros com leitos de UTI, da demora de até vinte dias para receber resultados de exames feitos nas capitais e das dificuldades de acesso e preços altos para comprar equipamentos como máscaras e luvas. “Eu costumava pagar de 5 a 10 reais por uma máscara N-95, mas, na semana passada, estavam cobrando 50 reais”, diz Kleber Medeiros, prefeito de Junco do Seridó, cidade de 7 150 habitantes e uma das quatro a registrar óbito por Covid-19 na Paraíba. Outro problema é a crescente pressão de comerciantes contra as quarentenas. “Está difícil segurar, o pessoal reclama muito”, afirma Tauillo Tezelli, prefeito de Campo Mourão, no Paraná, município com 95 000 habitantes que até a última quinta, 9, havia registrado quatro mortes, uma a menos que a capital, Curitiba.

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Medida que também faz parte da temerária lista de prioridades do presidente Jair Bolsonaro, a possibilidade do afrouxamento do isolamento foi incluída em um boletim do Ministério da Saúde na segunda 6. A proposta é um “distanciamento social seletivo” em cidades onde menos de 50% da capacidade de atendimento esteja comprometida. O Rio de Janeiro autorizou o funcionamento de estabelecimentos comerciais em trinta municípios onde não há casos de Covid-19. O governo mineiro estuda seguir a mesma direção. Olhar para os números do momento, diante do rápido e silencioso avanço do coronavírus, pode ser um erro fatal. “Poderíamos fazer o isolamento seletivo se testássemos todo mundo, mas só testamos pacientes que vão para o hospital”, alerta o infectologista Sergio Cimerman, diretor científico da Sociedade Brasileira de Infectologia. Vale ser mais cauteloso agora. A tentativa de salvar as contas pode ter o efeito colateral de produzir ainda mais estragos no país, inclusive na economia.

Publicado em VEJA de 15 de abril de 2020, edição nº 2682

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