Clique e assine com até 92% de desconto
VEJA Gente Notícias, bastidores e conversas de quem é assunto na cultura, na política, nos negócios e em outras rodas

Relatório da PF detona delação de Palocci em novo revés para o ex-ministro

Ex-ministro de Dilma e Lula cumpre regime aberto e usa tornozeleira eletrônica

Por João Batista Jr. Atualizado em 16 ago 2020, 16h08 - Publicado em 16 ago 2020, 16h07

Do nada para lugar nenhum. Um relatório elaborado pela Polícia Federal aponta que a delação premiada de Antonio Palocci era recheada de desinformação. O texto assinado pelo delegado Marcelo Feres Daher e encaminhado ao Ministério Público Federal na terça, 11, aponta falhas no conteúdo delatado pelo ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma Rousseff. “As afirmações foram desmentidas por todas testemunhas, declarantes e por outros colaboradores da Justiça” e “parecem todas terem sido encontradas em pesquisas na internet, porquanto baseadas em dados públicos, sem acréscimo de elementos de corroboração, a não ser notícias de jornais”.

Este não é o primeiro revés de Palocci. Ao menos dois inquéritos nascidos de sua colaboração foram arquivados. Neste mês, inclusive, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a acusação produzida no relato de Palocci, que afirmava que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria recebido 12,5 milhões de reais da empreiteira Odebrecht. Segundo o ex-ministro, o dinheiro teria sido utilizado para comprar um terreno para a construção de uma nova sede do Instituto Lula.

Este novo revés se dá no âmbito de um ponto importante da delação,, que deu conta de um crime supostamente ocorrido em 2011. O ex-homem forte do PT afirmou que um grupo de políticos e empresários tiveram como objetivo operar o Banco Central. Segundo Palocci, Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, teria informado à cúpula do banco BTG Pactual que a taxa Selic seria reduzida. A informação privilegiada teria sido responsável por fazer a fortuna do fundo Bintang, administrado pelo BTG. Contudo, uma perícia feita pela PF mostrou que o fundo não obteve ganhos a partir de bases de decisões do Copom. “Restou afastada eventual utilização de informação privilegiada quanto a outras datas de reuniões do Copom”, diz o relatório da PF. Além do fundo Bintang, Palocci mencionou outras instituições.

Tracy Reinaldet, advogado de Palocci, está otimista apesar do duro relatório contra o seu cliente. O Ministério Público Federal pode pedir novas diligências, afinal alguns fundos não foram periciados, assim como oferecer denúncia. Uma terceira possibilidade seria partir direto para o arquivamento das investigações. Reinaldet nega que Palocci tenha forjado contratos e agendas como forma de “provar” as denúncias feitas durante a delação. “É natural que uma colaboração não gere 100% de processos ou condenações. O delator tem de contar sobre atos ilícitos, mas pode ser que muitas não consigam ser provadas no curso das investigações”, diz o advogado de Palocci.

Antônio Palocci cumpre regime aberto e usa tornozeleira eletrônica, e mora em um belo e controverso apartamento nos Jardins, em São Paulo. Como benefício conquistado com a delação, sua pena foi reduzida pela metade (passou de 18 anos para 9 anos). Segundo Reinaldet, não há risco de seu cliente ter o benefício revisto a partir deste relatório da PF. “É natural que investigados neguem o fato delatado, como já ocorreu em diversos inquéritos da operação Lava Jato. É importante dizer que há na investigação da PF prova pericial que comprova a veracidade da colaboração de Palocci. Além disto, existem outros fundos indicados pelo colaborador que ainda não foram investigados pela PF e que confirmam a versão do ex-ministro”, afirmou.

Continua após a publicidade
Publicidade