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Sobre Palavras Por Sérgio Rodrigues Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

Do mercenário grego ao ladrão dos cofres públicos

A palavra que deu origem ao termo ladrão, o latim latro/latronis, foi importada do grego com um sentido diferente: o de soldado mercenário, ou seja, aquele que não devia lealdade a nenhum senhor, mas estava disposto a matar e saquear por quem lhe pagasse mais. O caráter nefasto de tais indivíduos acabou por gerar no […]

Por Sérgio Rodrigues Atualizado em 31 jul 2020, 11h17 - Publicado em 26 jul 2011, 13h51

A palavra que deu origem ao termo ladrão, o latim latro/latronis, foi importada do grego com um sentido diferente: o de soldado mercenário, ou seja, aquele que não devia lealdade a nenhum senhor, mas estava disposto a matar e saquear por quem lhe pagasse mais.

O caráter nefasto de tais indivíduos acabou por gerar no próprio latim uma extensão semântica que logo abarcava os sentidos de “salteador, bandido, bandoleiro, ladrão, malvado” (Saraiva).

Quando a palavra chegou ao português, ainda no século 11, com a grafia ladrones, a memória do mercenário já estava perdida. O ladrão era então, como hoje, “aquele que furta, rouba, se apodera do alheio” (Houaiss).

De todo modo, é uma prova da sutil permanência de certas ideias que políticos ladrões sejam sobretudo os mercenários, aqueles que não devem lealdade a nenhuma ideologia, mas estão dispostos a engordar a base de apoio de quem lhes pague mais.

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