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Ricardo Rangel

“Volta, vem viver outra vez a meu lado.”

Carlos Alberto Decotelli deve seguir Alexandre Ramagem e cair antes de tomar posse

Por Ricardo Rangel - Atualizado em 29 jun 2020, 19h52 - Publicado em 29 jun 2020, 19h50

Pressionado a escolher entre os militares e o radicais “ideológicos”, Bolsonaro finalmente optou pelos militares. A escolha deve fazer sentido, afinal, os militares são sérios, técnicos, competentes, pragmáticos etc. Demitiu o “ideológico” Abraham Weintraub e nomeou o “técnico” Carlos Alberto Decotelli, indicado pelos generais.

O técnico não era tão técnico assim. O pós-doutorado é inexistente, a tese de doutorado foi reprovada, e o mestrado, ao que parece, se baseou num plágio. Mais espantosa e constrangedora do que a fraude, só a patética entrevista na TV tentando explicar que a fraude é fraude mas, veja bem, não é. Rolando Lero ficaria orgulhoso.

Se os militares queriam mostrar que são melhores conselheiros do que Olavo de Carvalho, não foi desta vez.

Também não foi desta vez que o delegado Alexandre Ramagem mostrou por que Bolsonaro o considera competente a ponto de ser diretor-geral da Polícia Federal. Chefe da Agência Brasileira de Inteligência, com milhões de reais à sua disposição, Ramagem nem sequer se deu ao trabalho de verificar o currículo de um candidato a ministro, o que não lhe custaria mais do que alguns telefonemas. (Decotelli, aliás, parece que vai pelo mesmo caminho de Ramagem: vai cair antes de tomar posse.)

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Aparentemente, tampouco ocorreu a qualquer dos generais palacianos, um dos quais é chefe imediato de Ramagem, pedir à Abin que fizesse um “background check” básico em Decotelli.

Se esse é o nível “técnico” dos militares, Bolsonaro estará de volta aos braços de Olavo logo, logo.

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