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Ricardo Rangel

Bolsonaro não ganhou a parada na Câmara

Não se sabe quem será eleito presidente. O que se sabe é que haverá blefes, promessas e traições.

Por Ricardo Rangel 10 dez 2020, 18h47

O Supremo barrou a candidatura de Rodrigo Maia, e muita gente já dá como favas contadas a eleição de Artur Lira, candidato de Bolsonaro, para presidente da Câmara e a consequente perda de independência pela casa.

Se a eleição fosse agora, é muito provável que Lira fosse mesmo eleito.

Mas a eleição não é agora. É daqui a um mês e meio.

Há, de fato, muito a favor de Bolsonaro. Ele tem muito poder, tem cargos e verbas (já demitiu um ministro para abrir espaço) com que comprar votos para seu candidato. E Lira está, por sua vez, angariando apoios há tempos.

Mas também há muita coisa contra o presidente. Bolsonaro é um politico espetacularmente inepto, não entende o que é articulação política, é ingrato, não tem palavra, trata os aliados a pontapés, espera e exige submissão absoluta. Os deputados sabem tudo isso, e sabem o quanto pode ser perigoso submeter-se a um político assim.

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Também é bom lembrar que o presidente não está negociando com gente conhecida por cumprir o combinado: há apenas dois anos, nada menos do que cinco partidos do Centrão, antes comprometidos com sua candidatura, o traíram para aderir a Geraldo Alckmin.

Contra Rodrigo Maia há a derrota no Supremo, o tempo escasso, o fato de que está partindo do zero e nem sequer tem candidato ainda.

Mas também há coisas a seu favor. Trata-se de um dos políticos mais hábeis do Congresso, sabe articular e negociar, sabe que apoio não se ganha no grito.

Não custa lembrar que, em 2017, imediatamente após o impeachment — quando “golpista” era o nome mais gentil que a esquerda encontrava para referir-se a ele — Rodrigo conseguiu apoio de A a Z, incluindo a esquerda e o PT, e obteve uma votação surpreendente e consagradora para presidente da Câmara. Reelegeu-se facilmente em 2019, e, não fosse barrado pelo Supremo agora, se reelegeria com tranquilidade.

É cedo para dizer o que vai acontecer em fevereiro. O que se pode dizer com certeza é que daqui até lá ocorrerão blefes, promessas e traições.

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