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Vocês já leram. Agora peço que ouçam a voz de Jaques Wagner a defender a greve de PMs em 1992 e a incentivar o comando a se rebelar contra o então governador. Ou: Um homem protegido de si mesmo e o ziriguidum

Eu tenho, vamos dizer assim, moral para criticar greves de policiais. Sou contra! Sempre fui. Quem não tem é o governador Jaques Wagner (PT). Quem não tem é o ex-presidente Lula. Quem não tem é o PT. Publiquei ontem aqui o fac-símile do discurso que o então deputado Wagner fez em 1992 em apoio aos […]

Eu tenho, vamos dizer assim, moral para criticar greves de policiais. Sou contra! Sempre fui. Quem não tem é o governador Jaques Wagner (PT). Quem não tem é o ex-presidente Lula. Quem não tem é o PT. Publiquei ontem aqui o fac-símile do discurso que o então deputado Wagner fez em 1992 em apoio aos PMs que tinham entrado em greve no ano anterior, durante o governo de Antônio Carlos Magalhães, do PFL. Hoje, trago a voz do homem pronunciando aquelas palavras. Republico a imagem e, logo abaixo, a banda sonora — nada como ouvir aquele tom soturno em apoio à indisciplina e ao caos. Volto em seguida.

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Voltei
Mais de 100 pessoas mortas em oito dias só na grande Salvador. Não obstante, do comandante-geral da PM ao governador, passando — o que é espantoso! — pelo próprio jornalismo, todos asseguram que “o Carnaval está garantido”. Nada contra a alegria e tudo a favor. Mas é preciso ser minimamente decoroso. Não fosse por outra razão, os familiares dos mortos nestes oitos dias de desordem merecem um pouco mais de respeito.

Mas isso ainda é pouco. Na Globo — não sei se também nas outras emissoras —, o governo da Bahia está veiculando uma propaganda ligada ao Carnaval que associa o estado à alegria, à folia, à cordialidade, à paz, a tudo aquilo que, nestes dias, está ausente. Ao contrário: qualquer pessoa razoável há de supor um permanente malaise baiano, que só não se manifesta com mais freqüência porque reprimido pela polícia. Sem ela, a carnificina. O índice de homicídios no Estado é escandaloso. Algo de muito errado se passa por lá além da greve.

A Bahia, com todos aqueles militares cercando a Assembléia Legislativa, pode até remeter a um clima de guerra, mas a cobertura das TVs é bastante pacífica. Parece que choque com a polícia só rende boas imagens em São Paulo. Wagner, o incompetente viajante, está sendo tratado como um responsável conciliador — firme, mas muito humano…

Nada daquela cobertura nervosa, até com helicópteros, que se viu na reintegração de posse da USP ou mesmo, pasmem!, na Marcha da Maconha, em que os defensores da ordem, em São Paulo, eram tratados como pessoas suspeitas… Se o padrão de comparação for o Pinheirinho, aí, então, não tem pra ninguém! Os nossos candidatos a Sergei Eisenstein pareciam estar diante da versão terrestre do Encouraçado Potemkin Do lado de fora da Assembléia, há mães, mulheres, filhos e irmãs dos policiais amotinados, aquela gente que Wagner prezava tanto em 1992… Não falam! Ninguém põe o microfone nas suas bocas. Já os comerciantes reclamam abertamente da irresponsabilidade “de baderneiros”.

As TVs, em suma, gostam de Jaques Wagner. O homem dá entrevistas, e ninguém lhe pergunta por que apoiou greve de PMs em 1991 e em 2001, junto com toda a bancada federal do PT — na segunda jornada, isso inclui Nelson Pellegrino, que será candidato do partido à Prefeitura de Salvador.

Encerro
É claro que a forma assumida pelo protesto dos policiais da Bahia é inaceitável. Mas também é inaceitável que Wagner não seja confrontado consigo mesmo em eventos distantes e recentes.

E, em nome do decoro, façam todos o favor de não falar em Carnaval antes que se resolva o imbróglio. Com um pouquinho mais de decência, o governador mandaria tirar do ar a propaganda enganosa. Primeiro restabeleça a ordem em seu estado para vender depois o ziriguidum.

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