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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Neste blog, os terroristas não vão sequestrar a nossa razão!

Escrevi ontem um texto intitulado “Os terroristas estão entre nós” demonstrando como a lógica do terror vai se insinuando nos argumentos de pessoas bem-intencionadas, contaminando a sua generosidade, turvando-lhes o juízo. No caso dos atentados na França, cometidos por um radical islâmico que alegava ter ligações com Al Qaeda (as com o Talibã já estão […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 09h16 - Publicado em 22 mar 2012, 14h01

Escrevi ontem um texto intitulado “Os terroristas estão entre nós” demonstrando como a lógica do terror vai se insinuando nos argumentos de pessoas bem-intencionadas, contaminando a sua generosidade, turvando-lhes o juízo. No caso dos atentados na França, cometidos por um radical islâmico que alegava ter ligações com Al Qaeda (as com o Talibã já estão comprovadas), a forma de dar a vitória intelectual ao terrorismo é ligar os assassinatos ao conflito israelo-palestino. Escrevi o post justamente para alertar os leitores para essa armadilha e para repudiá-la.

E não é que, mesmo assim, alguns visitantes do blog tentaram — e lamento ainda mais se há quem o tenha feito de boa-fé — apelar à minha compreensão, buscando me fazer ver que não haverá solução global para a questão do terror islâmico enquanto o Estado palestino não for fundado? Pois é… Não será aqui que vou permitir esse tipo de consideração. Lamento! Se o preço for não ler mais o blog, nada tenho a fazer para atrair esses leitores de volta. Não aqui! No meu blog, a lógica do terror não se insinua. No meu blog, lugar de terrorista é na cadeia — caso se entregue; se não se entregar, que seja eliminado em nome de nossos bons valores, de todas as coisas  sãs e honestas que construímos nos últimos 250 anos ao menos. E que nos custaram muito caro.

Já escrevi centenas de textos, acho, sobre a criação do estado palestino e as condições em que acho que tem de existir. Jamais me neguei a fazer esse debate. Mas eu me nego terminantemente a indagar onde está a culpa das vítimas para, assim, “humanizar” os algozes e, então, compreender os seus supostos motivos. Porque entendo que o terror corresponde justamente à desumanização do “outro”: é preciso transformá-lo em “coisa”, em mero “objeto útil” a uma causa, para que possa, então, ser eliminado. Não aqui!

Essa gente não vai sequestrar a nossa razão.

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