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Reinaldo Azevedo

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Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Mais sobre arte engajada

Perguntam-me se, no capítulo do repúdio à arte engajada, não livro a cara nem de Maiakóvski. Não acho que ele fizesse arte engajada no sentido que ela me repugna — com caráter didático, instrumental ou meramente contestatória —, embora pretendesse praticar o que entendia ser uma versão poética do bolchevismo, o que só prova que […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 23h16 - Publicado em 30 ago 2006, 00h55
Perguntam-me se, no capítulo do repúdio à arte engajada, não livro a cara nem de Maiakóvski. Não acho que ele fizesse arte engajada no sentido que ela me repugna — com caráter didático, instrumental ou meramente contestatória —, embora pretendesse praticar o que entendia ser uma versão poética do bolchevismo, o que só prova que ele não entendia direito o que estava em curso. Há poemas que claramente ironizam o partido e os burocratas. Acabou se matando. Não acredito que pessoas se matem por razões políticas, a não ser em situações extremas, para não cair prisioneiras, ser torturadas etc. Isso à parte, matam-se porque são suicidas, algo certamente incompreensível para bolcheviques. Stálin já era maluco e piorou muito depois que a mulher deu fim à própria vida. Mas volto a Maiakóvski. Acho que seus poemas refletiam um período, um tempo pleno de ânsias de futuro e busca de ruptura. Há bons poemas. Há outros que não valem nada. Em certo sentido, qualquer obra tem um viés político. Madame Bovary, um texto perfeito, é bastante engajado à sua maneira. Mas não servia a causas. Vitor Hugo era político, e Lamartine, seu antípoda, também. O Vermelho e o Negro, de Stendhal, pode ser visto pelo filtro da impossibilidade do trânsito entre as classes. Assim, há, obviamente, um valor documental, histórico até, em toda grande obra de arte. Mas se trata de uma lateralidade. O que permanece transcende a contingência histórica. E isso vale mesmo para a arte popular — MPB se quiserem. Voltando ao caso: as músicas “políticas” de Chico Buarque naufragaram junto com a ditadura porque desapareceram as circunstâncias que lhes conferiam razão de ser. Mas permaneceu o que sempre se supôs ser um norte ético daquela produção. Como a gente vê, não era. Talvez nem ele soubesse, mas estava sendo apenas oportunista. A menos que o que houvesse de utópico em suas letras esteja plenamente realizado no governo Lula. Quero crer que sim. Por isso concluí notas abaixo que o lixo moral se juntou ao estético.
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