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Reinaldo Azevedo Por Blog Blog do jornalista Reinaldo Azevedo: política, governo, PT, imprensa e cultura

Israel se prepara para cumprir um dever assumido com seus cidadãos: impedir a invasão de seu território pelas naus dos insensatos

Deveria ter escrito a respeito já na madrugada de ontem, mas sabem como é… Há uma avalanche de coisas para um só. Lá vou eu. Vocês sabem, por óbvio, que eu não tenho nada contra o jornalismo opinativo, certo? O leitor estando devidamente advertido, e o veículo assumindo que se trata de opinião, não vejo […]

Por Reinaldo Azevedo - Atualizado em 31 jul 2020, 11h29 - Publicado em 29 jun 2011, 07h05

Deveria ter escrito a respeito já na madrugada de ontem, mas sabem como é… Há uma avalanche de coisas para um só. Lá vou eu. Vocês sabem, por óbvio, que eu não tenho nada contra o jornalismo opinativo, certo? O leitor estando devidamente advertido, e o veículo assumindo que se trata de opinião, não vejo mal nenhum. Não gosto é quando se empregam palavras supostamente neutras, afetando uma linguagem meramente referencial, para emitir opiniões e juízos de valor, como se uma escolha política ou ideológica fosse um fato da natureza.

Na Folha de ontem — e a questão continua relevante ainda hoje e assim continuará pelos próximos dias —, lê-se um texto com o seguinte título: “Israel decide reprimir nova flotilha de Gaza”. A “flotilha”, como sabem, é aquele conjunto de barcos que pretende furar o bloqueio marítimo a Gaza, determinado por Israel. Ela sai hoje da Grécia. A razão do bloqueio é simples: sem ele, o Hamas receberia armas para matar israelenses. Pois bem: notem que o governo de Israel, na Folha, não pretende “parar”, “impedir”, “bloquear” (escolham aí um verbo que signifique barrar a chegada dos barcos à costa de Gaza), mas “reprimir”. A tal “flotilha” se diz “humanitária” e tem agregado ao nome a locução adjetiva “da liberdade”. Então está explicado: o repressor estado de Israel vai “reprimir’ a “liberdade”. Ah, sei…

Aí escreve Marcelo Ninio na Folha:
O gabinete de segurança israelense aprovou ontem uma ordem para que as Forças Armadas detenham a nova flotilha humanitária que tentará romper o bloqueio marítimo à faixa de Gaza. Israel endurece sua posição, embora tema a repetição do incidente de um ano atrás, quando nove ativistas foram mortos por soldados israelenses ao desafiar o cerco a Gaza a bordo de um navio de bandeira turca. O episódio despertou uma onda mundial de condenação a Israel e gerou uma grave crise diplomática entre o país e a Turquia. Um ano depois, Israel mantém a mesma atitude política, de não levantar o bloqueio a Gaza, e prioriza a ação militar. Nas últimas semanas, a Marinha israelense e comandos do Exército fizeram diversos exercícios simulando a interceptação dos barcos. O premiê, Binyamin Netanyahu, ordenou uma ação militar firme, mas que cause “o mínimo de fricção” dos soldados com os ativistas.

É de Ninio, mas poderia ser assinado por muitos outros jornalistas. O adjetivo “humanitário” para a tal flotilha já nem vem mais acompanhado de aspas paras indicar que assim a classificam os militantes anti-Israel, o que não quer dizer que ela seja humanitária de fato, como é fato que hoje é quarta-feira, dia 29 de junho de 2011. Assumir, como questão referencial, que se trata de um ato puramente humanitário significa inferir, então, que o bloqueio existe porque, afinal, Israel é mesmo um estado composto de homens malvados, que agem deliberadamente para reprimir inocentes palestinos, que só pretendem viver em paz. Não parece que, do outro lado da linha, estão militantes que recorrem ao terrorismo com a intenção deliberada e anunciada de destruir Israel. Se não conseguem, aí é outra coisa; se o país agredido tem sido historicamente bem-sucedido em se defender, isso não muda as intenções do Hamas.

Gaza não é um país — pode vir a ser parte de um país um dia, mas ainda não é, e Israel tem a soberania daquelas águas. Permitir, sob qualquer pretexto, que um grupo que lhe é hostil — e a flotilha é — invada suas águas territoriais corresponderia a abrir mão dessa soberania. É simples assim. E, como é simples assim, então não pode acontecer. ISRAEL, POIS, NÃO SE PREPARA PARA REPRIMIR A FLOTILHA. PREPARA-SE PARA FAZER O QUE FAZEM OS PAÍSES SOBERANOS: IMPEDIR A INVASÃO DO SEU TERRITÓRIO.

Sigamos com o texto da Folha:
Netanyahu também corrigiu uma trapalhada feita no dia anterior pelo escritório de imprensa do governo. Numa carta enviada aos correspondentes estrangeiros baseados em Israel, o diretor do escritório alertava que os jornalistas que participassem da flotilha poderiam ser punidos com um veto de dez anos à entrada no país. A associação de correspondentes estrangeiros protestou, classificando a carta como um ato de intimidação. Dizendo-se surpreso com o documento, Netanyahu emitiu um comunicado e afirmou que os jornalistas não serão incluídos na lei de infiltração ilegal do país. Acrescentou que a mídia poderá acompanhar os comandos que irão interceptar a flotilha humanitária. A nova flotilha deve zarpar amanhã [hoje] da Grécia com algo entre dez e 15 barcos, mais que no ano passado. Mas não contará com a principal força do movimento, a organização humanitária turca IHH, nem com seu navio, o Mavi Marmara, onde os ativistas foram mortos em 2010. Sob pressão do governo turco, a IHH decidiu não participar, alegando problemas mecânicos no Marmara causados pelo ataque .

Pois é…
Há uma perda geral de parâmetros, não é mesmo? E eu lamento que Israel tenha voltado atrás na sua determinação inicial, cedendo ao que não passa de alinhamento ideológico disfarçado de ética profissional. Uma coisa é cobrar respeito e, se possível, proteção ao trabalho da imprensa mesmo numa guerra. Outra, distinta, é aceitar que jornalistas integrem uma flotilha cuja intenção deliberada é invadir o território Israelense, numa ato claro de hostilidade. Nesse caso, os jornalistas deixam de ser jornalistas para se tornar cúmplices de um crime previsto em leis internacionais. Nem mesmo se trata do esforço individual ou de um grupo para superar dificuldades e se meter numa zona de guerra, como é muito freqüente. Nada disso! Trata-se de uma espécie de conluio com os invasores. Quem disse que a jornalistas tudo é permitido? Mas o governo de Israel temeu a patrulha.

Em seu texto, Ninio fala da “organização humanitária turca IHH”. Como? Trata-se de uma ONG comandada por um sujeito chamado Bülent Yildirim. A IHH é mais uma dessas entidades que usam ações humanitárias para esconder o apoio ao terrorismo. Na foto abaixo, vemos Yildirim, que costuma comparar a situação dos palestinos em Gaza à dos judeus nos campos de concentração nazistas, em companhia de Ismail Haniya, o chefão do Hamas, o grupo terrorista que governa Gaza. Há indícios de ligações pregressas da IHH com o jihadismo, especialmente a Al Qaeda. No ano passado, escrevi dois textos sobre esses humanistas (aqui e aqui)

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Yildrim (esq.), da "organização humanitária" IHH, é condecorado pelo chefão do Hamas: serviços prestados

Yildrim (esq.), da “organização humanitária” IHH, é condecorado pelo chefão do Hamas: serviços prestados

Israel se prepara é para impedir a invasão de seu território, o que é um dever do governo daquele país com os cidadãos que o elegeram, o que é um imperativo para um país que luta pela sua sobrevivência.

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