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Radar Por Robson Bonin Notas exclusivas sobre política, negócios e entretenimento. Com Evandro Éboli, Mariana Muniz e Manoel Schlindwein. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Eleição do Conselho do MPF consolida maioria hostil a Aras

Chefe da PGR terá de refazer pontes com interlocutores para evitar derrotas em votações do colegiado

Por Mariana Muniz - 30 Jun 2020, 21h06

Se há quem duvide de que a Terra é redonda, basta prestar atenção no que aconteceu nesta terça na sessão do Conselho Superior do MPF que elegeu dois novos integrantes do colegiado.

A votação, como o Radar mostrou, era importante para demarcar a influência do procurador-geral da República, Augusto Aras, no colegiado. Atualmente, são oito integrantes do conselho, quatro identificados com o chefe da PGR e outros quatro da ala autodeclarada independente.

As outras duas vagas preenchidas nesta terça consolidam uma maioria virtualmente hostil aos interesses de Aras. E com contornos de reviravoltas de novela das nove.

Justamente o voto que torna Aras minoria no colegiado é o de seu ex-braço-direito José Bonifácio de Andrada, eleito pelo colégio de subprocuradores depois de ter sido demitido por Aras do posto que lhe garantia cadeira cativa no colegiado.

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Defenestrado pelo procurador-geral da República em fevereiro, Bonifácio agora volta ao Conselho Superior pelo voto dos pares. Agora, se quiser prevalecer nas discussões do Conselho – órgão mais importante do Ministério Público – Aras terá que contar com o voto e a boa vontade de seu ex-vice-PGR.

É o Conselho Superior que cuida de questões importantes do MPF, como a aprovação do orçamento e de resoluções. Pela frente, um projeto caro a Aras será definido pelos conselheiros: a criação da Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac), que unificaria as forças-tarefa da Lava-Jato hoje existentes.

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