Ícone de fechar alerta de notificações
Avatar do usuário logado
Usuário

Usuário

email@usuario.com.br
Abril Day: Assine VEJA por apenas 9,90
Imagem Blog

Noblat

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Hora de prorrogar a ajuda

As medidas oficiais foram insuficientes para impedir falências e demissões

Por Ricardo Noblat
12 jun 2020, 12h00 • Atualizado em 30 jul 2020, 18h52
  • Editorial de O Estado de S. Paulo (12/6/2020)

    Milhões de famílias serão beneficiadas e a economia ganhará algum alento, numa das piores crises da história republicana, se o governo prorrogar medidas emergenciais implantadas em abril. Preservar o poder de consumo dos mais vulneráveis servirá a dois propósitos muito importantes – garantir um mínimo de bem estar a um enorme número de pessoas e injetar algum combustível nos negócios. O ministro da Economia, Paulo Guedes, já indicou a disposição de manter as ações de apoio por algum tempo e congressistas dão suporte à ideia.

    No Brasil, os primeiros casos de covid-19 foram confirmados em fevereiro e a gravidade da crise sanitária foi plenamente reconhecida em março. Em abril o Executivo anunciou as primeiras medidas econômicas para enfrentar a epidemia e seus efeitos econômicos. O Executivo apresentou um programa de apoio imediato a empresas pequenas e médias e de preservação de empregos. Foram definidas ações para facilitar a redução de jornadas e salários ou de suspensão temporária de contratos. Ao mesmo tempo, o Banco Central (BC) cuidou de expandir a liquidez e de criar condições para aumento crédito. A estratégia de suporte financeiro acabou envolvendo a participação do Tesouro e de bancos estatais.

    Houve dificuldades para engatar a política de crédito, por causa dos critérios dos bancos e também pelas condições burocráticas impostas pelo Executivo. Também houve problemas no pagamento de auxílio emergencial de R$ 600 reais por mês a trabalhadores informais e a desempregados. Recursos foram entregues de forma indevida a milhares de pessoas, enquanto milhares de outras, embora qualificadas, tiveram dificuldade de acesso ao dinheiro. De modo geral, no entanto, as ações produziram efeitos sociais e econômicos positivos.

    As medidas oficiais foram insuficientes para impedir falências e demissões, mas, sem aqueles programas, a devastação gerada pela crise teria sido certamente muito maior. Os efeitos positivos foram reconhecidos pela OCDE, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em seu recém-publicado relatório sobre perspectivas globais. Sem uma segunda onda epidêmica, o consumo privado neste ano deve ser 10,4% menor que em 2019. A queda poderia ser 2 ou 3 pontos maior, sem o programa oficial de ajuda, estimam os autores do estudo. Como o consumo é o principal motor da economia, no curto prazo, o impacto sobre a atividade seria bem maior.

    Continua após a publicidade

    O governo, segundo as informações conhecidas até agora, admite uma possível prorrogação dos programas de apoio a empresas e ao emprego por 60 dias. A transferência de renda a desempregados e informais também poderá ser prolongada por dois meses, mas com o valor mensal diminuído de R$ 600 para R$ 300.

    O ministro da Economia insiste no caráter limitado dessas prorrogações, com prazo máximo de 60 dias. Essa restrição é apontada como necessária também no relatório da OCDE, onde as condições do Brasil sâo examinadas num capítulo de cinco páginas. O Executivo está autorizado a operar com medidas excepcionais até o fim de dezembro, numa situação reconhecida como calamidade, mas é preciso pensar nos problemas de recomposição das contas públicas a partir de janeiro.

    Com despesas muito maiores e receitas muito menores que as previstas no Orçamento, o governo fechará o ano com finanças em péssimas condições. Seu déficit primário ultrapassará, segundo as projeções correntes, R$ 600 bilhões. A projeção antes da crise indicava R$ 124 bilhões. A dívida do governo geral – incluídos os três níveis – estará em torno de 90% do Produto Interno Bruto (PIB), dez pontos acima, talvez mais, da meta antes fixada. Um compromisso claro de retomada do ajuste das finanças públicas será essencial para se manter a credibilidade diante dos mercados.

    Uma redução da confiança na responsabilidade fiscal do governo dificultará a manutenção dos juros básicos em níveis suportáveis. Juros maiores criarão problemas para a gestão pública e para a reativação dos negócios. Pelo menos a equipe econômica sabe disso.

    Publicidade
    TAGS:

    Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

    Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

    Domine o fato. Confie na fonte.

    15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

    OFERTA LIBERE O CONTEÚDO

    Digital Completo

    A notícia em tempo real na palma da sua mão!
    Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
    De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
    MELHOR OFERTA

    Revista em Casa + Digital Completo

    Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 7,50)
    De: R$ 55,90/mês
    A partir de R$ 29,90/mês

    *Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
    *Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês.