Feminismo, ainda?!!!
A metade da população mundial continua sofrendo a violência cometida por seus parceiros ou ex-parceiros

Por que celebrar o Dia Internacional da Mulher, quando há tantas outras necessidades a atender, coisas mais importantes a remediar do que a condição feminina na sociedade?
Apesar de todo o progresso ao longo do século XX em termos de direitos civis e participação no mercado de trabalho, a metade da população mundial continua sofrendo a violência cometida por seus parceiros ou ex-parceiros: aqui, na Índia, na Suécia e em toda parte.
Além disso, ganhamos espaço no mundo do trabalho, mas continuamos sendo minoria na política e nos lugares onde se tomam as decisões mais importantes. Somos minoria no Parlamento (menos de 10%) e em outros espaços de poder.
Descobri há pouco, surpresa, que entre economistas, dependendo da área de trabalho, continuamos chegando a reuniões como única mulher presente!
O fato é que, nestes últimos dias, e graças ao 8 de Março, fui lembrada de que:
-Na Internet, se as mulheres estão presentes como usuárias, somos apenas uma em cada quatro produtores de conhecimento;
– Na Wikipédia, enciclopédia aberta na rede mundial de computadores e espaço supostamente democrático de criação de conhecimentos e, portanto, de poder, as mulheres somos menos de 10% dos editores;
– E, com sensibilidade de gênero, vê-se, também no conteúdo da Rede, como as mulheres são invisíveis.
Por exemplo, achei esta semana uma lista de economistas célebres só com homens, excluindo Elinor Östrom, única mulher até hoje a receber o Nobel de Economia, em 2009!
É por isso que o Ministério das Relações Exteriores da Suécia, junto com a Wikimedia, está promovendo o #WikiGap: para melhorar o conteúdo de e sobre mulheres na Wikipédia e fechar, pelo menos um pouco, mais este hiato de presença feminina.
São maratonas de edição da Wikipédia, para gerar novos conteúdos, tornar as mulheres mais presentes e mais visíveis no material já disponível e dar uma perspectiva de gênero a verbetes já existentes.
Sim. Porque na saudável e necessária batalha pela igualdade de oportunidades para homens e mulheres, abrimos espaço para o maior respeito a todas as pessoas, de todas as idades, todos os gêneros, todas as cores, todas as religiões, em toda sua diversidade, fragilidade e vulnerabilidade.
Na verdade, a igualdade de oportunidades a tod@s nos favorece; a violência e a força bruta a ninguém convém; e uma visão mais amorosa da vida nos faz crescer e ser melhores.
É por isso que o feminismo ainda é tão necessário…
Que venham muitos outros 8 de Março!
Sandra Paulsen, casada, mãe de dois filhos, baiana de Itabuna, economista e doutora em Economia Ambiental. Sempre curiosa, atualmente estuda Teologia.