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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Brasil, um país ridículo

Os candidatos gastaram o tempo que lhes coube ou esfaqueando os concorrentes ou narrando as maravilhas invisíveis que fizeram até aqui.

Por Maria Helena RR de Sousa 17 ago 2018, 14h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 17h37
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Dá tristeza, dá muita tristeza acompanhar os debates televisivos dos candidatos a presidente da República. Nem por isso pretendo deixar de assisti-los. Doendo ou não, precisamos saber quem são essas figuras que tudo prometem e para as quais tudo parece ter soluções miraculosas.

Mas nenhum debate até agora, nem desta nem doutras eleições, ultrapassou o debate para governador do Rio de Janeiro que a Band nos ofereceu na noite de ontem. Uma coisa eu diria: foi inacreditável!

Em vez de aproveitar o valioso tempo de TV que a Band lhes deu, os candidatos, em sua grande maioria, gastaram o tempo que lhes coube ou esfaqueando os concorrentes ou narrando as maravilhas invisíveis que fizeram até aqui. É preciso ter muita paciência para assistir ao programa até o final…

Paciência eu tive. O que me faltou, francamente, foi estômago.

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Na verdade, não sei se esse tipo de debate nos ajuda, a nós eleitores. Também não sei sugerir o que seria melhor, não sou marqueteira, nem política. O fato é que aqueles que aparecem em primeiro lugar nas pesquisas acabam sendo mais perguntados e com isso ganham maior visibilidade. Ganham muito mais tempo que os outros. Não sei se os menos perguntados teriam coisas mais inteligentes e úteis a nos explicar, vai saber. Mas justo, esse sistema não me parece ser.

Pobre Brasil. É um país que não chega nunca ao futuro, ao contrário, vive a olhar o passado. Parece sempre almejar um retrocesso. No fundo, é um país ridículo, onde em todos os estados vemos figuras gastas, deletérias, sem estofo, sem tutano.

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Fico me perguntando se em Alagoas não nascem alagoanos que não sejam Calheiros ou Collor. Se o Maranhão ainda não se cansou dos Sarney. Se Pernambuco vai aceitar, tranquilo e sem ir para as ruas, a rasteira que o PT deu na neta de Arraes. Se Minas, a linda terra de Tiradentes, vai mesmo enviar para o Senado ninguém menos que o poste de Lula, a dona Dilma, aquela do mandato cassado mas dos direitos intocados!

Sabem qual é meu maior receio? Que, de repente, debaixo dos mantos fantasia dos candidatos haja encoberto um tipo Donald Trump. Já pensaram nessa impossibilidade bem possível?

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Que Nossa Senhora Aparecida nos proteja dessa desgraça e perdoe nossos erros, para que nossos filhos e netos não venham a sofrer por nossas escolhas obtusas.

 

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Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa é professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. www.facebook.com/mhrrs 

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