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O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A nova versão humilde e frágil de Bolsonaro

É temporária, não se enganem

Por Ricardo Noblat 7 set 2019, 07h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 19h27

A indicação de Augusto Aras para o cargo de Procurador-Geral da República rachou a base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais, onde ele costuma nadar de braçada, e repercutiu mal dentro do seu partido, o PSL.

Nada, de alguns meses para cá, deixou Bolsonaro mais assustado. A ponto de ele ter suplicado por compreensão e paciência no seu programa semanal ao vivo no Facebook da última quinta-feira, e de ter repetido a súplica ontem.

Pela primeira vez, na nova versão de “presidente humilde e frágil”, Bolsonaro pareceu emocionado e declamou sem elevar o tom da voz, quase chorando: “Reconheço as minhas limitações, a minha incompetência em alguns momentos”.

Esqueceu a advertência que fizera na véspera de que não deve “lealdade cega” nem mesmo aos que o elegeram, e de que o eventual insucesso do seu governo poderá resultar na volta do PT ao poder com todos os males que isso significaria.

Amigo do senador Jaques Wagner (PT-BA), com bom trânsito entre petistas cinco estrelas, Aras foi alvo de um dossiê entregue por deputados do PSL a Bolsonaro que eram contra sua a indicação para a Procuradoria Geral da República.

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Notícias sobre o dossiê ganharam as redes sociais impulsionadas por bolsonaristas sinceros, porém radicais. Junto com o alerta de que se ele fosse escolhido, o combate à corrupção perderia força e o PSL poderia cindir-se de vez e para sempre.

A suspeita foi reforçada com manifestações de procuradores ligados à Lava Jato que recomendaram a Bolsonaro a escolha de outro nome – de preferência, um dos três sugeridos pela massa de procuradores em votação direta. Foram ignorados.

O Procurador-Geral da República pode muito, mas não pode tudo. Em matéria de importância, o cargo só perde para os de presidentes da República, da Câmara dos Deputados, do Senado e do Supremo Tribunal Federal. É mais importante que o cargo de vice-presidente.

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Difícil que Aras vá se empenhar em enfraquecer o combate à corrupção. Não combina com o seu perfil e lhe faltaria apoio entre os colegas. Desconfia-se é que Bolsonaro pessoalmente já não esteja mais tanto assim comprometido com o combate à corrupção.

O ministro Sérgio Moro caiu em desgraça junto a Bolsonaro por tentar reverter a decisão do ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo, que, atendendo a um pedido do senador Flávio Bolsonaro, brecou investigações sobre a corrupção com base em dados fiscais.

Foi deslealdade de Moro na opinião de Bolsonaro, afinal a decisão solitária de Toffoli, que em breve será referendada ou não pelos seus pares, beneficiou não só Flávio como por tabela toda a sua família que corria o risco de ser também investigada.

A vida de Aras na Procuradoria Geral da República não será fácil. Como, de resto, não foi a dos seus antecessores.

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