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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Aras perde compostura e abre guerra no Conselho do MPF

Procurador-geral diz ter provas das acusações que fez à Lava Jato e que não reconhece autoridade em quem o critica: “Não me venha Satanás pregando quaresma”

Por Matheus Leitão - Atualizado em 31 jul 2020, 20h28 - Publicado em 31 jul 2020, 20h22

O procurador-geral da República, Augusto Aras, perdeu a compostura em sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal, nesta sexta-feira, 31, e acusou diretamente os colegas conselheiros de produzirem fake news contra ele e sua família.

O procurador-geral foi alvo de fortes críticas de quatro conselheiros por conta de seus ataques recentes à Operação Lava Jato. Em carta pública lida na sessão, os procuradores se disseram “perplexos” com Augusto Aras. Leia a íntegra aqui.

Em resposta às críticas que recebeu, o procurador-geral partiu para o ataque e acusou os investigadores que o criticaram de fazer “com que a casa perdesse R$ 1 bilhão nas gestões anteriores”. No meio de expressões acalorados, ele afirmou: “Não me venha Satanás pregando quaresma, vamos manter o respeito e a dignidade que a carreira exige de nós”.

Aras acusou procuradores presentes, que assinam a carta, de serem fontes de jornalistas que fazem reportagens sobre sua gestão. Citou nominalmente Nicolao Dino e Luiza Frischeinsen.

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O procurador-geral ainda fez críticas à imprensa que, na sua avaliação, “vive a babar por sangue de reputações”, e aproveitou para afirmar que não via autoridades em seus acusadores.

Aras tem feito duros ataques à Lava Jato, afirmando que  força-tarefa de Curitiba funciona como uma “caixa de segredos” e tem oito vezes mais dados armazenados que todo o resto do Ministério Público Federal. Ele defende uma “correção de rumos” na Lava Jato.

Enquanto elevava o tom de voz em alguns momentos, o procurador-geral afirmou que as declarações que fez sobre a força-tarefa foram pautadas “em fatos e provas, que se encontram sob investigação da corregedoria-geral e no próprio Conselho Nacional do MP”.

Aras terminou sua fala de forma abrupta, sem ouvir os respostas dos colegas. Uma nova sessão do Conselho ocorrerá na semana que vem.

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