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Matheus Leitão Blog de notícias exclusivas e opinião nas áreas de política, direitos humanos e meio ambiente. Jornalista desde 2000, Matheus Leitão é vencedor de prêmios como Esso e Vladimir Herzog

Alvo do TCU, Presidente da Caixa mantém autopromoção com a marca do banco

Pedro Guimarães usa o cargo para tentar ser vice de Bolsonaro. Plano B é disputar uma cadeira no Senado

Por Matheus Leitão 5 out 2021, 19h25

A rede social pessoal do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, é um amontoado de imagens, inclusive com a marca do banco estatal, que servem para ele fazer autopromoção. Nos bastidores de Brasília, interlocutores de Guimarães afirmam que ele tenta se cacifar como candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (Sem partido) à reeleição.

A princípio, Guimarães estava, de forma irregular, usando os canais da própria instituição pública que preside para fazer propaganda de si mesmo. O banco tirou o material do ar depois que o jornalista Rubens Valente, do UOL, observou o uso irregular das redes da estatal em favor de Guimarães.

Depois da reportagem, o Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação sobre a autopromoção feita nos canais da Caixa. No requerimento de abertura da apuração, como relatou Valente, o procurador do Ministério Público de Contas Júlio Marcelo de Oliveira usou termos como “egocentrismo” e “vaidade da autoridade” para se referir a Pedro Guimarães.

Redes Sociais do presidente da Caixa
Redes Sociais do presidente da Caixa Instagram/Reprodução

A cara de pau de Bolsonaro em alguns assuntos é também um defeito cultuado por Guimarães. Mesmo com a repercussão negativa do uso errado que fazia das redes do banco, ele segue usando a marca da instituição em sua rede privada para fins eleitoreiros.

O fato de ser uma rede pessoal ou privada não autoriza um servidor público, como é o caso do presidente da Caixa, a usar o cargo ou o nome da estatal em seu favor. Também fazem parte do arsenal de marketing de Guimarães imagens dele em eventos do governo, inclusive a recente viagem para Nova York, onde ele, Bolsonaro e os demais integrantes da comitiva brasileira expuseram o país a um vexame internacional, ao desrespeitarem regras de prevenção à disseminação do vírus e de contenção da Covid-19. O próprio Guimarães testou positivo para a doença depois da viagem.

Chamou atenção na comitiva, inclusive, a ausência do ministro da Economia, Paulo Guedes, que começou o governo como principal nome da área econômica. Aos poucos, Guedes passou a disputar espaço com o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e com Pedro Guimarães. O presidente da Caixa tem prevalecido nessa disputa, dizem integrantes do governo.

Oriundo do mercado financeiro, Guimarães acredita que pode funcionar, na campanha de 2022, como Paulo Guedes funcionou em 2018, suprindo a falta de conhecimento que Bolsonaro tem da economia.

O próprio presidente da República admite não entender nada da área, no que é uma das poucas verdades, senão a única, que ele consegue pronunciar em seus discursos. Apesar da confessada ignorância, Bolsonaro continua querendo tomar todas as decisões econômicas. E Guimarães oferece a ele a vassalagem e a certeza de que será mais dócil aos seus comandos do que o atual ministro da Economia.

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