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‘Motosseata’ de Bolsonaro em SP irá até Jundiaí e terminará no Ibirapuera

Trajeto de manifestação prevista para sábado, 12, foi acertado em reunião com a PM; suposto organizador fala em 400 mil motos, mas autoridades esperam 6.000

Por Da Redação 11 jun 2021, 11h25

O passeio de moto do presidente Jair Bolsonaro em São Paulo neste sábado, 12 de junho, terá em torno de 160 km, e incluirá ruas da capital paulista e da cidade de Jundiaí.

O trajeto acertado em reunião com a Polícia Militar envolve a saída da avenida Olavo Fontoura, na região do Sambódromo (zona norte), ida até Jundiaí (a 60 km da capital), volta pela rodovia dos Bandeirantes, depois Marginal Tietê e encerramento no Parque do Ibirapuera.

O primeiro trajeto divulgado era mais curto: ia apenas do sambódromo até a Avenida Paulista, mas Bolsonaro considerou curto. “Eles falaram quarenta quilômetros. Quarenta quilômetros para 100 mil motos? O cara vai ligar o motor e ficar parado”, ironizou em conversa com apoiadores em frente ao Palácio do Alvorada na quarta-feira, 9.

A expectativa daqueles que se apresentam como organizadores do evento é maior que a do próprio presidnete – falam em 1 milhão de motos. Segundo o empresário Jackson Villar, que esteve na reunião com a PM, há 400 mil veículos inscritos no site da Embaixada do Comércio, entidade que preside. Segundo ele, um dia antes esse número era de 275 mil.

Autoridades estaduais, no entanto, têm uma expectativa bem menor: esperam de 5.000 a 6.000 motos, número suficiente, no entanto, para provocar transtorno no trânsito, em um dia especial para o comércio: o Dia dos Namorados. A previsão é que a “motosseata” comece às 7h e termine às 14h.

Organização polêmica

A organização do evento é um grande mistério. Batizada de “Acelera para Cristo” pelo próprio Villar, chegou a ser divulgado que o passeio teria a organização de lideranças evangélicas ligadas ao Conselho de Pastores de São Paulo, que, no entanto, não tem nenhuma menção ao evento em suas páginas.

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Jackson Villar – cujo verdadeiro nome é Jarkson Vilar da Silva – tem 41 anos de idade e é um persongem polêmico. Em 12 de março deste ano, organizou um protesto no Terminal João Dias contra o governador João Doria (PSDB) e as medidas de restrições adotadas para conter o coronavírus. Uma semana depois, também liderou uma carreata até as proximidades da residência do tucano, nos Jardins.

Antes, no dia 6 de março, divulgou vídeos em redes sociais desafiando agentes da Vigilância Sanitária e dizendo que manteria o seu comércio aberto apesar das restrições impostas pelo governo. Chegou a ser levado a um distrito policial pela Guarda Civil Municipal em razão do post.

O empresário Jackson Villar e o presidente Jair Bolsonaro em cartaz de divulgação de passeio de moto em sP
O empresário Jackson Villar e o presidente Jair Bolsonaro em cartaz de divulgação de passeio de moto em sP Reprodução/Reprodução

Em 2018, foi candidato a deputado federal pelo Pros, mas obteve apenas 1.824 votos e não se elegeu. Em seu nome consta uma empresa de armarinhos no Jardim São Luís, zona sul de São Paulo. Ele também já teve uma revenda de veículos em Itajaí (SC). Seu endereço residencial é de Campinas.

Questionado por VEJA sobre como tratou da organização do ato com Bolsonaro, disse apenas que enviou e-mails para o endereço eletrônico da agenda do presidente e que tudo foi combinado por esse canal. Ele também afirmou ter convidado a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), que compartilha conteúdos divulgados pela Embaixada do Comércio.

Manifestações

O passeio em São Paulo será o terceiro de Bolsonaro com simpatizantes motociclistas — ele já fez eventos semelhantes em Brasília, no dia 9, e no Rio de Janeiro, no dia 23 de maio. A organização dos atos obedece sempre à mesma lógica: o presidente diz que participa se for convidado, depois diz que surgiu um convite, confirma a participação e a divulgação do evento viraliza nos perfis bolsonaristas nas redes sociais.

Os eventos são usados por Bolsonaro para tentar dar uma demonstração de força em momento de perda de popularidade e de pressão política, com o agravamento da pandemia e a CPI em andamento no Senado para investigar a atuação do governo no combate à doença.

A realização desses atos acabou provocando uma contraofensiva da oposição, que voltou a realizar protestos de rua no dia 29, após um longo hiato, e programa outro para o próximo dia 19 de junho.

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