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Bolsonaristas usam contas alternativas para driblar Twitter e criticar STF

Enquanto Roberto Jefferson recorreu ao perfil da filha, página de grupo conservador publicou tutorial para burlar decisão da Corte

Por Da Redação - Atualizado em 25 jul 2020, 11h33 - Publicado em 25 jul 2020, 11h30

Em um movimento quase imediato, bolsonaristas que tiveram suas contas no Twitter suspensas na sexta-feira 24 por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, recorreram a perfis alternativas para driblar a medida da plataforma e seguir criticando a Corte. Entre os dezesseis alvos da decisão estão o ex-deputado federal Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, o empresário Luciano Hang, a ativista extremista Sara Winter e os blogueiros Allan dos Santos e Bernardo Kuster.

Um dos mais novos aliados do presidente Jair Bolsonaro, Roberto Jefferson recorreu ao perfil de sua filha, a ex-deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ). “Fui censurado por falar a verdade e estou dividindo o perfil com minha filha. É hora de rugir”, diz o texto de apresentação do perfil de Cristiane. Na tarde desta sexta-feira, Roberto Jefferson escreveu que não tema a “tirania” de Alexandre de Moraes.

O empresário Luciano Hang publicou um vídeo em seu perfil no Instagram para se manifestar sobre a decisão. Hang afirmou que nunca produziu notícias falsas e, em nota, reforçou que “jamais” atentou contra o STF.

O blogueiro Allan dos Santos, do portal Terça Livre, recorreu a um perfil secundário, no qual tem replicado publicações de outros apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, como as deputadas federais Bia Kicis (PSL-DF), Chris Tonietto (PSL-RJ) e Kátia Sastre (PL-SP). Em um tuíte, Allan rebate uma declaração do ministro do STF, Luís Roberto Barroso, que afirmou que autores de notícias falsas “não são pessoas de bem, são bandidos”. “Alguém sumiu com a honra do Barroso, mas não foram as pessoas que estão no inquérito inconstitucional”, disse o blogueiro.

Também no Twitter, o perfil do movimento Brasil Conservador divulgou um tutorial de como alterar as configurações da rede social para continuar visualizando os tuítes publicados – perfis com localização fora do país conseguem visualizar as contas retidas pela decisão de Moraes. Na publicação, o movimento diz que este é o passo a passo para se ver “livre da restrição do Xandão”, em alusão ao primeiro nome do ministro do STF.

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A decisão de Moraes, tomada em maio e cumprida agora, se deu no âmbito do inquérito que apura a disseminação de notícias falsas e agressões a ministros do Supremo. O ministro é o relator das apurações.

Conforme noticiou a coluna Radar, quase dois meses depois do despacho, Moraes deu um ultimato ao Twitter na quarta-feira 22 para que a ordem fosse cumprida em 24 horas. Por meio de nota, a assessoria de imprensa do Twitter afirmou que a rede social “agiu estritamente em cumprimento a uma ordem legal proveniente de inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF)”.

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