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Fé e fertilidade

Um novo estudo brasileiro mostra que mulheres com fé, submetidas a tratamentos de fertilidade, têm maior chance de engravidar

Oito em dez pessoas afirmam pertencer a um grupo religioso. Muitos pacientes procuram a espiritualidade para aliviar os sofrimentos causados por doenças ou para encontrar forças para sua aceitação ou enfrentamento. E realmente foi comprovado cientificamente que pessoas espiritualizadas podem diminuir o risco de alguns tipos de doenças como as cardiovasculares, o diabetes, acidentes vasculares cerebrais, infartos e insuficiência renal. Atualmente, em algumas escolas de medicina, os alunos já possuem matérias sobre a importância da espiritualidade no processo de cura.

O impacto da fé na saúde

O impacto da fé nos tratamentos de transtornos psiquiátricos é estudado há longo tempo. Pesquisadores apuraram sua atuação em diversas áreas cerebrais, com destaque para o sistema límbico, o responsável pelas emoções. Altruísmo e solidariedade são características preponderantes nos indivíduos espiritualizados, independentemente da religião, o que reforça o efeito calmante da fé.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Toronto, no Canadá, analisou as atividades cerebrais dos participantes com aplicação de um teste conhecido como Stroop e constatou que a fé pode diminuir a ansiedade, a depressão e o estresse, bem como o medo de enfrentar o que parece incerto e desconhecido.

A intervenção médica no processo de procriação demanda reflexões que afetam diversas áreas do conhecimento humano, para estudar os processos mentais (sentimentos, pensamentos e razão) e o comportamento dos pacientes. A literatura científica demonstra que a esterilidade fere como morte, pois enquanto esta atinge a vida do corpo, a infertilidade atinge a vida através da descendência e da frustração pela impossibilidade de gerar.

O novo estudo

Nosso grupo realizou um estudo prospectivo incluindo 877 pacientes que se submeteram a técnica de ICSI – injeção intracitoplasmática de espermatozoide (técnica de fertilização in vitro que escolhe um espermatozoide para fecundação do óvulo em laboratório) e preencheram questionário com informações sobre fé, religiosidade e espiritualidade.

Relacionados fatores importantes como idade das pacientes, número de óvulos obtidos por tratamento, e qualidade embrionária, o grupo foi avaliado considerando aqueles que manifestaram fé em algum tipo de religião e aqueles que se declararam sem religião ou fé.

O poder da espiritualidade

As taxas de fertilização, isto é, a capacidade do espermatozoide fecundar o óvulo, foram de 85% para aqueles do grupo que tem fé, contra 70% para o outro grupo, com um aumento percentual de 20%. O número dos embriões obtidos para transferência uterina dos pacientes espiritualizados foi igual a 3, contra 1,2 dos não espiritualizados. Também quando comparada a taxa de gravidez do grupo de pacientes com fé e espiritualidade, esta foi de 41,6% contra 23% do grupo sem religião ou fé.

Muito interessante foi que, independentemente da religião declarada, ter uma religião ou fé, influenciou positivamente nos resultados dos tratamentos. A espiritualidade, portanto, desempenha uma importante ferramenta no ajuste dos aspectos psicológicos de um paciente infértil.

Dado que a oração ou outras abordagens espirituais são estratégias seguras e de baixo risco, não medicamentosas, nós profissionais de reprodução humana e a comunidade médica como um todo, precisamos estar cientes de usá-las como coadjuvantes nos tratamentos.

 

Edson Borges

 

Quem faz Letra de Médico

Adilson Costa, dermatologista
Adriana Vilarinho, dermatologista
Ana Claudia Arantes, geriatra
Antonio Carlos do Nascimento, endocrinologista
Antônio Frasson, mastologista
Artur Timerman, infectologista
Arthur Cukiert, neurologista
Ben-Hur Ferraz Neto, cirurgião
Bernardo Garicochea, oncologista
Claudia Cozer Kalil, endocrinologista
Claudio Lottenberg, oftalmologista
Daniel Magnoni, nutrólogo
David Uip, infectologista
Edson Borges, especialista em reprodução assistida
Fernando Maluf, oncologista
Freddy Eliaschewitz, endocrinologista
Jardis Volpi, dermatologista
José Alexandre Crippa, psiquiatra
Ludhmila Hajjar, intensivista
Luiz Rohde, psiquiatra
Luiz Kowalski, oncologista
Marcus Vinicius Bolivar Malachias, cardiologista
Marianne Pinotti, ginecologista
Mauro Fisberg, pediatra
Miguel Srougi, urologista
Paulo Hoff, oncologista
Paulo Zogaib, medico do esporte
Raul Cutait, cirurgião
Roberto Kalil, cardiologista
Ronaldo Laranjeira, psiquiatra
Salmo Raskin, geneticista
Sergio Podgaec, ginecologista
Sergio Simon, oncologista

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