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Em “Anna”, o diretor Luc Besson ensina como ser um virtuose da bobagem

Espirituoso, fluido, bem-feito e repleto de ação, filme põe uma top model russa entre a CIA e a KGB

O pessoal que me segue sabe que eu tenho um carinho todo especial por bobagens feitas com convicção, competência e, se possível, alguma originalidade – e, nessa seara, o diretor francês Luc Besson é um expoente (lá embaixo, você vê onde encontrar os filmes bacanas dele – e só os bacanas). Caso em questão: Anna, que acaba de entrar nos cinemas por aqui. Interpretada pela russa Sasha Luss, que tem dois metros de pernas e maçãs do rosto tão afiadas que daria para fatiar queijo com elas, a protagonista Anna Poliatova, flagrada pelo filme por volta de 1990 (e é bom lembrar que a União Soviética só caiu no fim de 1991), é muitas mulheres: é uma junkie que mora com o namorado num apartamento decrépito em Moscou, é uma vendedora de matryoshkas (aquelas bonecas russas aninhadas uma dentro da outra) no mercado, é a modelo que faz sucesso em Paris – e é, surpresa! uma assassina tão bem treinada que… Não, não vou entregar as cenas de ação deliciosamente absurdas de Anna, porque seria trapaça com o espectador e com Besson, que teve tanto trabalho para bolar esta narrativa que segue a lógica das matryoshkas (uma Anna dentro de outra, e de outra, e de outra) e bolar tantas sequências tão bem-feitas e tão bem-costuradas, com surpresas que nunca cessam. Sasha Luss, além disso, tem presença. E, para garantir que a brincadeira seja sólida e robusta, completam o elenco Helen Mirren, como a oficial mal-humorada da KGB (existirá outro tipo de oficial da KGB?) que atende o pedido de Luke Evans para treinar a garota, e – menção honrosa – Cillian Murphy, sensacional como um agente da CIA.

Anna

 (Paris Filmes/Divulgação)

É bem verdade que Anna é quase uma refeitura de Nikita: Criada para Matar, de 1990, talvez o filme mais famoso (e o melhor) de Luc Besson, um típico exemplar da new wave francesa (não confundir com nouvelle vague) em que uma garota problemática de pernas longas e maçãs do rosto afiadas – no caso, Anne Parrillaud – era treinada como assassina profissional por uma agência secreta, e então tentava se desvencilhar das pessoas que era obrigada a servir. Mas Besson renova a fórmula aqui com mais humor e com ritmo mais puxado. O que, aliás, ele vem fazendo com variações desde então – em O Profissional (1994), filmado quando Natalie Portman tinha 12 para 13 anos; em O Quinto Elemento (1997), em que Milla Jovovich, então casada com o diretor, era uma criatura de poderes insondáveis; e em Lucy (2014), em que Scarlett Johansson é contaminada com uma substância que acelera de maneira exponencial a sua inteligência (leia aqui a resenha).

Anna

 (Paris Filmes/Divulgação)

Besson, em suma, é chegado no fetiche das mulheres lindas e perigosas, mas talvez tenha sido precedido só por James Cameron em dar às suas heroínas inteligência e capacidade de agir reais, e na mesma medida de seus atributos dinâmicos. Besson, além disso, filma que é uma beleza, com exuberância, fluidez e gosto pelo que está fazendo. Se você quer suas histórias de Guerra Fria levadas a sério, talvez se irrite. Se topar a brincadeira, talvez se divirta tanto quanto eu.

Anna

 (Paris Filmes/Divulgação)

P.S.: Luc Besson faz filmes sobre outras coisas também – como a meditação sobre mergulho Imensidão Azul (1988), que é bem bonito, ou a história de mafiosos em fuga A Família (2013), com Robert De Niro, Michelle Pfeiffer e Tommy Lee Jones, que é ótimo (leia aqui a resenha). E, às vezes, Besson faz filmes muito ruins: dispense Joana D’Arc, Arthur e os Minimoys ou Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, por exemplo.

QUER VER MAIS BESSON?

O Profissional: Netflix, Looke, NOW

Lucy: Looke, NOW, Google Play

A Família: Claro Video, Looke

Além da Liberdade: Looke


Trailer

ANNA – O PERIGO TEM NOME
(Anna)
França/Estados Unidos, 2019
Direção: Luc Besson
Com Sasha Luss, Helen Mirren, Cillian Murphy, Luc Evans, Lera Abova
Distribuição: Paris

 

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