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A pasta verde de Bendine

Executivo afirma que Aldemir Bendine era emissário de Dilma Rousseff em reuniões

Por Silvio Navarro - Atualizado em 29 jul 2017, 10h35 - Publicado em 28 jul 2017, 16h46

Fernando Reis, um dos executivos da Odebrecht que assinou acordo de delação premiada, afirmou em depoimento às autoridades que o novo ilustre preso da Lava Jato Aldemir Bendine, o “Dida” ou “Cobra”, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, carregava uma pasta verde “com o brasão da Presidência”. O conteúdo dela? Disse Fernando Reis: “continha várias notas, inclusive uma enviada pelo próprio Marcelo Odebrecht para Aloizio Mercadante (na época, ministro da Casa Civil) sobre as preocupações que os efeitos da Operação Lava Jato pudessem ter nas empresas”.

Continua Fernando Reis sobre Bendine: “A maior preocupação à época já eram as restrições creditícias, muito agravadas pelo bloqueio cautelar imposto pela Petrobras às empresas envolvidas na Lava Jato e estendido a todo o ‘Grupo Econômico’. A ostensividade da pasta verde era para ‘certificá-lo’ como interlocutor mandatário da presidenta da República, pois foi assim que ele se apresentou naquele dia, dizendo ter sido encarregado pela presidenta para interagir com as empresas, buscando especialmente garantir a rigidez financeira destas, pois, a ameaça de ‘quebra’ poderia ser um indutor/acelerador de novas delações premiadas”.

Segundo o executivo da Odrebrecht, portanto, Bendine era emissário de Dilma Rousseff nas reuniões com empresários enrolados na Lava Jato.

Nota – Mercadante, por meio de sua assessoria, afirmou que recebeu Marcelo Odebrecht a pedido da Presidência e que no encontro foram discutidos um texto técnico-jurídico sobre o bloqueio cautelar da Petrobras a empresas, a Lei Anticorrupção e acordos de leniência.

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