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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Sem negócios à parte

Amigos, amigos, no caso de Michel Temer não há negócios à parte

Por Dora Kramer 20 set 2017, 20h59

Numa declaração cheia de dedos, o presidente Michel Temer disse que “às vezes” na vida pública se convive com gente que comete ilícitos. Se estava, e certamente estava, se referindo aos seus mais de dez “amigos” denunciados com ele por formação de quadrilha a partir da plataforma do PMDB, sendo mais da metade atualmente presos, o presidente quis imprimir um tom casual ao que é absolutamente factual: nenhum deles atuava à sua revelia. Falavam-se diária e constantemente com quase todos. Geddel Vieira Lima, por exemplo, era um conselheiro a quem consultava a cada passo. Foi o deputado baiano, hoje preso por suspeita de estocar mais de R$ 50 milhões em moeda sonante num apartamento em Salvador, um dos maiores incentivadores para que Temer assumisse a linha de frente do impeachment de Dilma Rousseff.

Dizer que a relação dos dois tinha um caráter fortuito realmente é uma agressão a fatos facilmente comprováveis. Temer não se relacionou “às vezes” com Geddel. Relacionava-se diariamente. Pessoalmente ou por telefone. Temperamental, é verdade, o baiano, porém, não é ingênuo. No limite sabe perfeitamente se controlar. Assim como soube logo no primeiro momento avaliar que a denúncia de tráfico de influência apresentada pelo então colega Marcelo Calero era seu passaporte de saída do Palácio do Planalto.

O choro de Geddel na prisão não deve ser interpretado como manifestação de fraqueza. Trata-se de um homem mais forte e inteligente do que acreditam os que não o conhecessem.

 

 

 

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