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Dora Kramer Por Coluna Coisas da política. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

CPI é apelido

'Lava Toga' é apenas o codinome de um conflito de interesses políticos

Por Dora Kramer - 16 Sep 2019, 11h00

O embate entre defensores e detratores da criação da chamada CPI da Lava Toga não tem propriamente o sentido de investigar as entranhas do Judiciário ou de acobertar irregularidades e ilegalidades cometidas no âmbito daquele Poder.

Entre outros motivos porque comissões parlamentares de inquérito já não cumprem o papel nem têm a importância que tiveram em outros momentos da vida nacional, antes de a Justiça, a polícia e o Ministério Público atuarem mais ativamente no desvendamento de esquemas criminosos envolvendo a coisa pública. Hoje, as CPIs servem ora como instrumentos de chantagem, ora se prestam a palco de conflitos de interesses políticos.

O cerne da briga, que deflagrou até uma crise no PSL envolvendo diretamente a família Bolsonaro, é o posicionamento de cada um dos grupos em relação à operação Lava Jato e a investigações que possam atingir magistrados e parlamentares.

O arquivamento ou a instalação da CPI refletirão apenas o resultado de uma queda de braço instalada para ver quem fala mais alto no Judiciário e no Legislativo, servindo também para definir alianças nas internas desses dois Poderes. Nada a ver com o propósito genuíno de passar a limpo seja o que for.

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