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MEC reprova livros didáticos por ver racismo e machismo em imagens cotidianas

Coleção de ciências ficou de fora do Programa Nacional do Livro Didático por incluir imagens de mulheres, negros e indianos em problemas sociais

O FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) reprovou livros didáticos por considerar racistas e machistas imagens de mulheres, negros e até indianos em problemas sociais – como enchentes em São Paulo, dramas da seca na África e na Índia e até mesmo campanhas de saúde pública criadas pelo próprio governo federal.

Uma coleção de quatro volumes de Ciências da Natureza foi excluída do Programa Nacional do Livro Didático porque os avaliadores consideraram que algumas imagens caracterizam “discriminação e violação dos direitos humanos” ao reproduzir “estereótipos e preconceitos de condição social, étnico-racial e de gênero”.

Uma das imagens consideradas nocivas é a de mulheres africanas carregando vasos de barro, que ilustra a abertura de um capítulo sobre o drama da falta de água no planeta. Segundo o parecer, assinado em abril, ainda no governo Dilma, fotos como essa “trazem situações que retratam condições de inferioridade com relação aos negros e mulheres. Colocam também a mulher como vítima de desigualdade de direito a condições adequadas de vida”.

livro_africanas

A mesma avaliação recebeu a foto de uma enchente cujas vítimas são pardas, e uma pintura naif que poderia muito bem ser interpretada como simpática ao movimento negro. Para o FNDE, as imagens ainda “enfatizam o desnível sociorracial acentuando distorções com conotações especificamente raciais e ferem o conceito de igualdade social”.

livro didatico pintura

Página com a pintura “Lata d’água na cabeça”, de Lea Dray

Na prática, o critério politicamente correto do MEC veta qualquer imagem dos livros em que mulheres, pardos ou negros estejam relacionados a notícias negativas. Acaba privando os estudantes da informação sobre o perfil étnico das pessoas que mais precisam de ajuda na sociedade brasileira.

Uma das imagens classificada como contrária aos direitos humanos foi produzida pelo próprio governo Dilma. Retrata o cantor Thiaguinho e sua bem-sucedida luta contra a tuberculose. Parte de uma campanha do Ministério da Saúde de conscientização sobre a doença, o cartaz ilustra o capítulo sobre doenças transmissíveis do livro de sexta série.

Livro_Thiaguinho_sem_circulo

Até mesmo um cartaz de conscientização sobre a tuberculose, criado pelo Ministério da Saúde, foi considerado racista pelo MEC

O MEC viu racismo contra negros até mesmo em imagens que não são de negros. Foi o caso de uma fotografia de indianos com baldes na mão cercando um caminhão-pipa. A própria legenda no livro da sexta série informa que a foto é de Nova Déli e que a Índia é um dos países que mais sofrem com o racionamento de água.

livro_india

Avaliadores consideraram que imagem da seca em Nova Déli acentua estereótipos negativos

A aprovação do FNDE define o sucesso de vendas de uma coleção de livros didáticos, pois seleciona as obras que serão usadas por 32 milhões de alunos do Ensino Fundamental de escolas públicas.

A autora da coleção, que prefere não se identificar por temer perder oportunidades no mercado editorial, foi professora de Ciências e Biologia na rede estadual e federal por 25 anos, escreve livros há 20 anos e já ganhou o prêmio Jabuti na categoria didáticos. Ao receber a notícia da reprovação dos livros, ela imaginou que os motivos seriam técnicos ou pedagógicos. Quando leu o relatório, ficou revoltada. “Nunca vi na minha vida uma barbaridade e uma perseguição como essas”, diz.

 

Eis o parecer completo do PNDL:

ANÁLISE DA COLEÇÃO

A obra não atende ao Edital PNLD 2017, no que se refere ao item 1 relativo ao respeito à legislação. De acordo com o Art. 79 do Estatuto da Criança e do Adolescente: as revistas e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não poderão conter ilustrações, fotografias, legendas, crônicas ou anúncios de bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munições, e deverão respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família”. Contrariando essa legislação, no volume IV do Livro do Aluno, p. 212, há uma imagem de soldados subindo em um helicóptero portando armas de fogo.

A obra também não atende ao item 2.1.2 do Edital PNLD 2017, por veicular estereótipos e preconceitos de condição social, étnico-racial e de gênero, caracterizando discriminação e violação dos direitos humanos. O respeito à legislação educacional exige excluir da obra relações étnico-raciais baseadas em preconceitos que desqualificam sujeitos e salientam estereótipos depreciativos. Nesse sentido, identificados no Livro do Aluno os seguintes exemplos:

  1. a) Volume I, p. 115 – Imagem de uma pessoa negra com esquistossomose para exemplificar doenças transmitidas pelo contato da pele com água contaminada;
  2. b) Volume I, p. 115 – Imagem de várias pessoas negras em rua alagada por enchente para exemplificar doenças transmitidas pelo contato da pele com água contaminada, como a leptospirose;
  3. c) Volume II, p. 52 – Cartaz de campanha de alerta contra a tuberculose com imagem de cantor e compositor negro com slogan O tratamento foi o maior sucesso da minha vida;
  4. d) Volume I, p. 126 – Imagem de mulheres negras africanas carregando recipiente d’água na cabeça;
  5. e) Volume I, p. 132 – Imagem de pessoas negras cercando caminhão-pipa na tentativa de conseguir um pouco d’água;
  6. f) Volume I, p. 187 – Imagem de mulher procurando materiais recicláveis no lixão;
  7. g) Volume I, p. 105 – Imagem de mulheres retirando água de poço;
  8. h) Volume I, p. 109 – Apresentação da letra da marchinha de carnaval intitulada Lata d’água acompanhada de ilustração de mulher negra com lata d’água na cabeça.

As imagens apresentam pessoas negras associadas a problemas de saúde e/ou situações de exclusão social. A maioria são mulheres negras em condições extremas de pobreza e vida, o que denota sexismo e racismo.

Há imagens no Livro do Aluno que trazem situações que retratam condições de inferioridade com relação aos negros e mulheres. Colocam também a mulher como vítima de desigualdade de direito a condições adequadas de vida (Livro do Aluno, volume I: p. 126; p. 187; p. 105 e p. 109). Enfatizam o desnível sociorracial acentuando distorções com conotações especificamente raciais e ferem o conceito de igualdade social (Livro do Aluno, volume I: p. 115; p. 126; p. 132; p. 187; p. 105 e p. 109; Livro do Aluno, volume II, p. 52). E a igualdade de tratamento das pessoas em situações socioeconômicas bem diferentes contribui para a perpetuação de injustiças (Livro do Aluno, volume I: p. 115; p. 126; p. 132; p.187; p. 105; p. 109 e p. 191).

CONCLUSÃO

Pelo exposto, a coleção 28031COL79 não atende aos seguintes critérios do Edital PNLD 2017: item 2.1.1 relativo ao respeito à legislação e à observância de princípios éticos necessários à construção da cidadania e ao convívio social republicano; 2.1.2. observância de princípios éticos necessários à construção da cidadania e ao convívio social republicano; item 2.1.4 relativo à correção e atualização de conceitos, informações e procedimentos; 2.1.6 – adequação da estrutura editorial e do projeto gráfico aos objetivos didático-pedagógicos da coleção no que se refere ao item 5 que trata da isenção de erros de revisão e/ou impressão.

Pelo exposto, a obra 28031COL79 deve ser reprovada no PNLD 2017.

Ana Paula Bossler da Costa 

Coordenadora Pedagógica

Pedro Jorge Zany Pampulim Martins Caldeira 

Coordenador Institucional

 

 

 

Comentários
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  1. Comentado por:

    rosan

    Vai aqui uma sugestão que resolverá todos os problemas dos livros didáticos: Todos os livros deverão ser editados com todas as páginas em branco, inclusive a capa e a contracapa!!! Simples assim!!!

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  2. Comentado por:

    WALDOMIRO M VIEIRA

    é só mandar estes petistas embora do ministério ou tirar-lhe o poder de veto.

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  3. Comentado por:

    ORLANDO SERROU CAMY FILHO

    O MEC, infelizmente, ainda é um território dominado por ideólogos desconectados com a realidade e desejosos de ver o povo seguindo a doutrina de seus líderes, o “socialismo rançoso” da esquerda brasileira. Espero que o governo Temer tenha a coragem e a habilidade para extirpar do MEC todos os ditadores das regras “deles”, os falsos moralistas e hipócritas sociais, que desequilibram a união do povo.

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  4. Comentado por:

    nelda

    Acho que deveríamos editar as imagens dos livros e trocar as mulheres negras africanas carregando os potes por mulheres loiras de olhos azuis carregando os potes… Isso é muito natural na áfrica e na índia, sabe… Acho que deveríamos também mandar oxigenar os cabelos de uma parte das pessoas pardas e negras que mendigam pelas ruas para que se equipare às pessoas brancas que mendigam pelas ruas. A única realidade que pode existir á a realidade definida pela presidanta!!! que seja feito!!!

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  5. Comentado por:

    nelda

    Acho que o MEC está precisando de um pente fino ein?

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  6. Comentado por:

    teo

    Vamos queimar os livros!!! Viva a dona louca!!!

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  7. Comentado por:

    Eduardo Lopes

    Estranho. Eles não querem que apareça nenhum negro nas figuras dos livros?

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  8. Comentado por:

    Creusa

    Acho essa coisa de o papel sulfite ser branco é uma forma de racismo!!! Tem que ter papel sulfite preto também!!!

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  9. Comentado por:

    José Tadeu

    No artigo imediatamente após este, você falou da proliferação de intelectuais nos dias atuais. Completaria dizendo do excesso de pseudo intelectuais que proliferam em todo lugar. No MEC deve ter um bom caldo de cultura para eles. Só vivem falando e fazendo bobagem. Acham que a realidade é politicamente incorreta. Começam corrigindo livros, depois passam para os filmes, logo mais para as novelas e programas de TV e terminam elegendo um presidente que não gosta de ler.

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  10. Comentado por:

    Caipira Pirado

    Não é possível, ainda tem petista no M E C nâo? Isso é coisa desses idiotas!

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