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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Valentina de Botas: Um fim patético para quem o jeca comparou a Nelson Mandela

VALENTINA DE BOTAS Fui a alguns encontros “Natal sem Dilma” e, embora esta senhora continue na presidência vagando no gretado sertão moral do lulopetismo e adjacências, meu Natal não será com ela. Será com as pessoas que amo, que toco e por quem sou tocada, de quem cuido e cuida de mim. Desejo o mesmo […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 30 jul 2020, 23h50 - Publicado em 17 dez 2015, 15h45

VALENTINA DE BOTAS

Fui a alguns encontros “Natal sem Dilma” e, embora esta senhora continue na presidência vagando no gretado sertão moral do lulopetismo e adjacências, meu Natal não será com ela. Será com as pessoas que amo, que toco e por quem sou tocada, de quem cuido e cuida de mim. Desejo o mesmo a todos que não se deformaram na luta contra o Estado mafioso, conscientes de que a resistência de um dia se confirma na do dia seguinte, que a coisa é cotidiana e recomeça antes de não acabar.

Que a essa consciência se junte a emoção de ter feito o necessário, mas sempre um passo antes do horroroso vale-tudo, para sustentar o embate. Que nada nem ninguém turve a alegria possível, justa e natural na pausa que se aproxima. Que os mais vulneráveis alcancem alguma esperança, tenham algum pão. Não vou fazer o balanço tolo de perdas e ganhos, reducionista e falso porque a vida não é só essa conta óbvia, pois, ainda que neste 2015 o essencial tenha ficado visível aos olhos, há tanta coisa atrás da cena do visível. Lembro, porém, que a seita que começou o ano comemorando a perpetuação do regime se fragmenta necrosada com comparsas poderosos que passarão o Natal na cadeia.

O simbolismo da Lava Jato – ainda por se concluir – é decisivo para os sonhos que podemos ter, o impacto político reduz a despojos mortais o projeto de poder dos cafajestes na verdade descarnada dos estratagemas cada vez mais desesperados e inúteis. O que se evidencia quando Dilma Rousseff tenta escalar as ruínas do caráter de Eduardo Cunha para fazer o dela parecer maior, fim patético para quem o jeca comparou a Nelson Mandela. Incapazes de perceber que a nação é outra, insistem, com o auxílio de certo jornalismo, que a alternativa entre uma súcia e outra é o horizonte distópico desenhado por ambas.

Não se trata de quem é melhor do que lulopetistas e sócios – qualquer coisa é –, mas de abolir a realidade forjada pelo lixo da política brasileira aglutinado em torno da figura mais asquerosa que ela produziu, o jeca, de que o tal governo popular-eleito-pelo-voto, e não o país, deve ser preservado. Pois o país que presta não espera novas auroras instantâneas, não busca o locus amoenus imediato, não procura utopias restauradoras, mas apenas que o caudilho mafioso seja preso, a cria soberba colha o impeachment que semeou e o PT seja cassado porque impermeável à democracia e ao estado de direito.

Pequeno, mas exemplo sólido da impotência moral dos lulopetistas: Haddad acionou a CET para multar os movimentos pró-impeachment no domingo e, nesta quarta-feira, liberou o ponto dos funcionários públicos para a sessão mortadela do pró-Dilma; é o Estado mobilizado contra a sociedade ao qual o Brasil que presta, espraiando a alma com cheiro de feriado, avisa: entre uma súcia e outra, rejeitamos a chantagem e exigimos a lei. Aos indignados, feliz Natal sem Dilma.

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