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Augusto Nunes Por Coluna Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido. E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

“Trio de ouro” e outras notas de Carlos Brickmann

Raquel Dodge acha que o presidente pode ser investigado, sim, embora qualquer ação contra ele só se possa efetivar após o final de seu mandato

Por Carlos Brickmann Atualizado em 30 jul 2020, 20h32 - Publicado em 4 mar 2018, 07h02

Publicado na Coluna de Carlos Brickmann

Em velhos, velhos tempos, um dos conjuntos musicais mais populares do Brasil foi o Trio de Ouro: Dalva de Oliveira era a rainha, seu marido Herivelto Martins e Nilo Chagas a acompanhavam.

Nestes dias, o Trio de Ouro, que existia mas não era reconhecido, voltou à tona. O ministro Édson Fachin, do Supremo, mandou incluir Michel Temer num inquérito que investiga dois de seus antigos aliados, Eliseu Padilha e Moreira Franco, ambos ministros – e dos mais importantes. Trio que é trio tem de ter três. E a Operação Lava Jato agora investiga os três a respeito do ouro da Odebrecht, com apoio na delação premiada de executivos da empreiteira. O que se apura são repasses da Odebrecht em troca do atendimento de suas reivindicações na Secretaria de Aviação Civil.

Nos tempos de Rodrigo Janot como procurador-geral da República, não houve investigação sobre Temer, já que o presidente não pode ser acusado por fatos ocorridos antes do início de seu mandato. A doação da Odebrecht, dizem as delações, foi acertada num jantar no Palácio do Jaburu, quando Temer era vice-presidente. Raquel Dodge, sucessora de Janot, acha que o presidente pode ser investigado, sim, embora qualquer ação contra ele só se possa efetivar após o final de seu mandato. O ministro Fachin concordou.

O velho Trio de Ouro acabou quando a Rainha e seu marido se separaram. Apesar das delações, o novo Trio de Ouro está intacto. Ainda.

 

Jaburu ou Curitiba

A lei fundamental da política é sobreviver; é por isso que, a menos que haja um bom acordo, Michel Temer precisará ser candidato à reeleição. É melhor se candidatar do que correr o risco de depor em Curitiba. Um bom acordo pode ser a nomeação para uma Embaixada de prestigio, ou a garantia de um indulto – como o que o presidente Gerald Ford deu a Nixon. Este processo da Odebrecht é só um dos que Temer terá de enfrentar, sem o foro especial. Já há o decreto que mudou as normas do setor de portos, que teria beneficiado uma empresa de amigos; há mais duas denúncias suspensas, depois que a Câmara decidiu que só poderão ser investigadas depois de terminado seu mandato. Candidatar-se é mais saudável.

 

O crime e a pena

O Supremo determinou que R$ 71 milhões encontrados em uma única conta bancária do casal João Santana – Mônica Moura, os marqueteiros do PT, sejam entregues à União. Quem disse onde estava o dinheiro foi o próprio casal, como parte do acordo de delação premiada.

A outra parte do acordo é uma pena bem atenuada, de 4 anos. Ambos ficam um ano e meio em “prisão domiciliar fechada”: não podem sair de casa sem autorização da Justiça. Depois, a pena vai para um ano e meio no regime semiaberto, sempre em casa. Poderão sair de dia para trabalhar e prestar serviços comunitários, mas ficam em casa à noite e nos fins de semana. Por fim, um ano em regime aberto, mas com restrições a saídas em feriados e fins de semana. E, durante a pena toda, não poderão trabalhar, direta ou indiretamente, no Brasil ou no Exterior, em marketing eleitoral.

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As prévias de sempre

Todos os partidos aceitam que seus candidatos sejam escolhidos pelos eleitores, em prévias (ou primárias, tradução direta do termo americano). E todos concordam com a beleza das prévias e com sua contribuição para a democracia partidária – exceto, claro, no momento em que alguém insiste em realizá-las. Prévia é para constar no cardápio, jamais para ser servida.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, quer suspender a prévia, já marcada, em que enfrentará o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, pelo direito de ser o candidato tucano à Presidência. O prefeito paulistano, João Dória, prefere ser aclamado candidato ao Governo do Estado a disputar prévias. Coisa de tucano? Não: quando Eduardo Suplicy quis disputar as prévias no PT, pleiteando ser candidato à Presidência, queriam liquidá-lo.

Prévia é ótimo, é democrático, desde que ninguém queira realizá-la.

 

Foto velha

Mais um carnaval com a divulgação de pesquisas eleitorais para a Presidência. Mais um carnaval inútil, pois de que adianta a pesquisa se não há nomes? Caso Lula possa ser candidato, é forte, com boa chance de passar ao segundo turno; caso não possa, o PT fica órfão, sendo forçado a lançar postes – e que tristes postes! – como Fernando Haddad ou Jaques Wagner. Que vão enfrentar um político que tem votos em seu Estado, mas nacionalmente é um poste, como Alckmin. E Temer, como é que fica?

 

Brasil brasileiro

Temer, pelo jeito, é o novo ídolo de Lula. Em entrevista, Lula diz que Temer conseguiu se livrar do golpe tramado pela Globo contra ele.

E dizem que militares foram flagrados no Rio portando armas de uso exclusivo de traficantes.

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