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Só oito dos 11 senadores que evitaram a unanimidade assumem a rejeição a Sarney

PUBLICADO EM 9 DE FEVEREIRO DE 2011 Branca Nunes e Bruno Abbud Na eleição da Mesa Diretora, 70 senadores presentearam José Sarney (PMDB-AP) com o quarto mandato, oito votaram no candidato oposicionista Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), dois em branco e um anulou o voto. Quem são os parlamentares que evitaram a rendição unânime ao octogenário maranhense […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 07h02 - Publicado em 18 jan 2013, 18h23

PUBLICADO EM 9 DE FEVEREIRO DE 2011

Da esquerda para a direita: Álvaro Dias, Cristovam Buarque, Jarbas Vasconcelos, Marinor Brito, Marisa Serrano, Pedro Simon, Pedro Taques e Randolfe Rodrigues

Branca Nunes e Bruno Abbud

Na eleição da Mesa Diretora, 70 senadores presentearam José Sarney (PMDB-AP) com o quarto mandato, oito votaram no candidato oposicionista Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), dois em branco e um anulou o voto. Quem são os parlamentares que evitaram a rendição unânime ao octogenário maranhense que, em julho de 2009, quase foi apeado da presidência pela ofensiva conjunta da oposição e de governistas envergonhados com a procissão de escândalos?

Ao fim de uma semana de investigações, a coluna constatou que três dos 11 senadores que se recusaram a apoiar o chefe da Casa do Espanto preferem refugiar-se no anonimato. Só oito reafirmam publicamente que não votaram no vencedor. Álvaro Dias (PSDB-PR) reiterou ter anulado o voto. Pedro Taques (PDT-MT) confirmou os termos da carta em que comunicou a Sarney que não o apoiaria, mas ressalvou que “o voto é secreto”. Dois colegas informaram que Taques votou em branco.

Deputado estadual por oito anos, eleito senador em outubro, o professor universitário Randolfe Rodrigues, 38 anos, decidiu concorrer com Sarney em defesa de valores éticos revogados pelo grupo do adversário. Além do próprio voto, conseguiu mais sete. Só cinco foram identificados:  Marinor Brito (PSOL-PA), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Simon (PMDB-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Marisa Serrano (PSDB-MS). Até agora não apareceram os donos dos dois votos restantes. Tampouco se sabe quem foi o autor do segundo voto em branco.

Sem contar os peemedebistas dissidentes Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon, são 18 os senadores filiados a partidos de oposição (10 do PSDB, cinco do DEM, dois do PSOL e um do PPS). Como só dois tucanos e a dupla do PSOL se opuseram à candidatura governista, a coluna procurou ouvir os 14 que completam a bancada. Segue-se a reação de cada um:

Aécio Neves (PSDB-MG).  Na primeira tentativa, a assessora de imprensa do líder do partido informou que Aécio não poderia falar porque estava “na estrada, dirigindo sozinho e com problemas no sinal do celular”. Nas tentativas seguintes, a assessora não atendeu ao telefone. Dias depois, o tucano enviou a seguinte mensagem por meio de sua assessoria: “Sempre defendi o respeito ao critério da proporcionalidade na ocupação dos cargos no Parlamento não apenas como reflexo da vontade popular extraída das urnas mas, especialmente, como garantia de espaços de atuação para as minorias”.

Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). O senador mais votado do país mandou um assessor avisar que não revelaria seu voto. Mais tarde, avisou ao repórter que seguiria o “princípio do sigilo, que é regimental e constitucional”.

Cícero Lucena (PSDB-PB). Incluído na chapa vitoriosa como candidato a 1° Secretário, foi um ativo cabo eleitoral de Sarney.

Cyro Miranda (PSDB-GO). Limitou-se a declarar que votou em Sarney.

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Flexa Ribeiro (PSDB-PA). O senador admitiu ter votado em Sarney. “Segui a orientação da bancada”, disse.

Mário Couto (PSDB-PA). Limitou-se a declarar que votou em Sarney.

Paulo Bauer (PSDB-SC). Depois de revelar que o senador votara em Sarney, um assessor explicou por quê: “Ele disse que seguiu a indicação da bancada”.

Lúcia Vânia (PSDB-GO). Disse que não se sentia constrangida com o apoio a Sarney. “Não tem problema revelar o voto. Foi uma decisão da bancada”.

Demóstenes Torres (DEM-GO). “Votei em Sarney”, admitiu o futuro líder da bancada. “Eu não voto nulo, não faço graça”.

Maria do Carmo Alves (DEM-SE). Incluída na composição vitoriosa como 3ª suplente da Mesa Diretora, trabalhou abertamente por Sarney. “Foi uma orientação da bancada”, explicou.

José Agripino (DEM-RN). O atual líder da bancada acabou admitindo ter votado em Sarney, mas evitou pronunciar o nome do eleito durante a conversa com o repórter. “Votei no acordo”, desconversou. Que acordo?, ouviu de volta. “O voto é secreto”, desconversou. “Votou no Sarney?”, insistiu o repórter. “Não, no acordo”, desconversou, antes de reiterar que o voto é secreto. No acordo a que se refere o senador, ficou combinado que, em troca da inclusão na Mesa de um tucano e um parlamentar do DEM, os dois partidos apoiariam Sarney.

Kátia Abreu (DEM-TO). Na segunda-feira passada, Kátia estava na Argentina e não foi localizada pela assessora em Brasília. Voltou à capital federal às 23h30. Nesta terça-feira, não pôde atender à coluna porque participava de um evento no subsolo de um prédio perto do Congresso. O celular não funcionava. A assessora não voltou a atender ao celular.

Jayme Campos (DEM-MT). De acordo com o assessor de imprensa, está incomunicável no interior de Mato Grosso.

Itamar Franco (PPS-MG). Mandou um assessor avisar que não revelaria seu voto.

Há três vagas a preencher no time que se opôs a Sarney. A coluna espera que os interessados se manifestem.

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