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Dilma mira na inflação, tropeça no idioma, derruba a sensatez e é capturada por Celso Arnaldo: ‘Ela merece vigilância diuturna’

Por Celso Arnaldo Araújo Foi o grande Reinaldo Azevedo, em texto postado às 18:21 de hoje em seu blog, quem escancarou o momento Odorico Paraguaçu da bem-amada presidente Dilma Rousseff no discurso pronunciado hoje na 37ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social, o Cades. Ao falar do recrudescimento da inflação, tentou dizer que seu […]

Por Augusto Nunes Atualizado em 31 jul 2020, 12h10 - Publicado em 26 abr 2011, 23h14

Por Celso Arnaldo Araújo

Foi o grande Reinaldo Azevedo, em texto postado às 18:21 de hoje em seu blog, quem escancarou o momento Odorico Paraguaçu da bem-amada presidente Dilma Rousseff no discurso pronunciado hoje na 37ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social, o Cades.

Ao falar do recrudescimento da inflação, tentou dizer que seu governo estava ligado dia e noite na questão:

“Então eu quero dizer a esse conselho. O meu governo está diuturnamente, e até noturnamente, atento a todas as pressões inflacionárias, venham de onde vier”.

Será possível? Não terá havido um erro de transcrição? Bem sei que Dilma merece vigilância diuturna – prolongada, prorrogada, protelada, que não se esgota. É virar as costas e ela se supera. Mas essa odoricada seria ultrajante até para os padrões do dilmês. Uma quase mestre e doutora confundindo diuturno com diurno para pespegar um “até noturnamente”, fechar um suposto ciclo de 24 horas e desenhar, enfaticamente, o tamanho da atenção do governo ao surto inflacionário.

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Fui checar com minha fonte secreta – o site oficial da presidenta. Tudo verdade e mais um pouco. Reinaldo não falha. Quem falha é Dilma. No auditório do Cades, só faltaram os irmãos Cajazeiras que a acompanharam à China – Mercadante, Lobão e Pimentel.

Aos exatos 10:20 deste vídeo, o governo de Dilma se transfere para Sucupira. Até o ritmo da fala é Paraguaçu puro – o “venham de onde vier” não surpreende, é concordância dilmística lato senso.

Mas reparem que o “até noturnamente” vem acompanhado de um girar repentino de cabeça e do ensaio de um risinho sardônico, conjugado a um lamber nervoso do lábio inferior — sinais inconfundíveis de orador que busca cumplicidade da plateia para uma bobagem dita mas não pensada.

Uma pessoa que conhecesse o significado pleno da palavra diuturno, e do advérbio de modo dela derivado, poderia até ter usado esse contraponto noturno como um quase sofisticado trocadilho semântico. Não é o caso. Eu aposto que não é o caso. E certamente não seria o caso, se fosse o caso, em se tratando de presidente da República diante de um conselho de notáveis e a respeito de um tema tabu, a inflação.

O desconhecimento de Dilma, a respeito de virtualmente todas as coisas, segue o ritmo circadiano que governa biologicamente os seres humanos – é full time, tempo integral, 24 horas por dia, around the clock, sem intervalo, sem trégua, diuturnamente, pelos próximos quatro anos.

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