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‘O general mentiu’, por Ricardo Noblat

PUBLICADO NO BLOG DO NOBLAT NESTA SEGUNDA-FEIRA O que ainda faz o general José Elito Carvalho Siqueira como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência da República? O general mentiu ao país a respeito de uma operação de espionagem conduzida pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). E a mentira pública cometida por autoridade é considerado […]

Por Augusto Nunes - Atualizado em 17 fev 2017, 14h52 - Publicado em 23 abr 2013, 13h21

PUBLICADO NO BLOG DO NOBLAT NESTA SEGUNDA-FEIRA

O que ainda faz o general José Elito Carvalho Siqueira como ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da presidência da República?

O general mentiu ao país a respeito de uma operação de espionagem conduzida pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). E a mentira pública cometida por autoridade é considerado algo de muito grave no chamado mundo civilizado. Motivo de demissão.

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No último dia 19 de março, por exemplo, Jérome Cahuzac, ministro francês do Orçamento, pediu demissão do cargo depois que o Ministério Público decidiu investigá-lo por lavagem de dinheiro.

Cahuzac levara três meses negando que tivesse uma conta bancária no exterior – o que não constituía crime, por sinal. Acabou confessando que mentira.

Luiz Estevão de Oliveira (PMDB-DF) foi o primeiro senador brasileiro cassado.

Não perdeu o mandato por ter embolsado parte do dinheiro destinado à construção do Fórum da Jusiça Trabalhista de São Paulo. Perdeu porque mentiu ao se defender.

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Richard Nixon, presidente dos Estados Unidos, fez o que pode para encobrir as ligações do seu governo com o arrombamento do comitê do Partido Democrata no edifício Watergate, em Washington. Renunciou ao mandato depois que se descobriu que mentira.

O jornal O Estado de S. Paulo denunciou no último dia quatro que o “governo montara uma operação coordenada pelo GSI e executada pela Abin para monitorar a movimentação sindical no Porto de Suape, em Pernambuco”.

Lembrou que Eduardo Campos, governador de Pernambuco e aspirante à sucessão de Dilma, se opõe à Medida Provisória que retirou dos Estados a autonomia para licitar novos terminais de carga. E que por causa disso andara se reunindo com sindicalistas.

“A ação envolve uma equipe de infiltrados no Porto de Suape e a produção de relatórios de inteligência repassados ao general José Elito”, informou o jornal.

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No dia seguinte, o general assinou uma dura nota classificando a reportagem de “irresponsável”. E afimou a certa altura: “É mentirosa a afirmação de que a GSI/Abin tenha montado qualquer operação para monitorar o movimento sindical do Porto de Suape ou qualquer outra instituição do país.”

Recentemente, o jornal teve acesso ao documento que confirma tudo o que o general desmentiu. Simplesmente tudo.

O documento se chama “Ordem de Missão 022/82105″ e foi enviado às seções da Abin em 15 Estados.

A missão: identificar ações grevistas como reação à Medida Provisória que altera o funcionamento dos portos. O alvo central: sindicalistas ligados à Força Sindical e, por tabela, a Eduardo Campos.

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Pouco antes da missão ter início, “uma equipe de agentes de Brasília percorreu os Estados alvo para uma ação de vigilância prévia”, segundo o jornal.

Pela primeira vez, “a vigilância se valeu de um equipamento de filmagem israelense que permite a transmissão em tempo real e em alta resolução de imagens captadas nos portos”.

O general reconheceu a existência do documento, mas ainda assim negou que ao comentar a primeira reportagem tivesse mentido a respeito. “A gente monitora tudo, assuntos que possam ser de interesse do país”. E arrematou: “Não foi um monitoramento de movimento a ou b, mas de cenário”.

O general mentiu duas vezes, pelo menos: ao classificar de “irresponsável” e de “mentirosa” uma denúncia que sabia ser verdadeira; e ao negar depois que mentira a respeito.

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Se seu amor ao decoro fosse maior do que seu amor ao emprego não teria mentido. Uma vez flagrado mentindo pediria demissão.

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