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Alberto Carlos Almeida Por Alberto Carlos Almeida Opinião política baseada em fatos

Orlando Silva acha que os comunistas são o futuro

Orlando Silva é a prova viva de que o negacionismo não é monopólio da direita

Por Alberto Carlos Almeida Atualizado em 12 ago 2020, 16h26 - Publicado em 12 ago 2020, 16h25

O Deputado Federal Orlando Silva afirmou hoje em entrevista que o PT é passado. Na minha visão trata-se de uma afirmação de uma pessoa ingrata, pois Orlando Silva só é deputado por causa dos votos do PT. O seu partido, o futuro, cujo nome é Partido Comunista do Brasil, teve em 2018 dois candidatos a deputado federal por São Paulo, ele Orlando e Maria Giovana. Juntos os dois totalizaram 80.125 votos. Para um partido ser capaz de eleger um deputado federal por São Paulo em 2018 eram necessários no mínimo 301.488 votos. Ou seja, se o PC do B não tivesse se coligado com o PT o Deputado Orlando Silva não seria hoje deputado. Orlando entrou na última vaga da distribuição de sobras, foi o menos votado de todos os eleitos pela coligação do PT.

Penso que pessoas corretas são, acima de tudo, gratas. Orlando Silva deveria ser grato ao PT por ter hoje o mandato que lhe permite ser ouvido pela imprensa. Mas não, ele não se comportou orientado por este valor. Ele tirou proveito de seu espaço na mídia para fazer um discurso anti-PT, escolhendo, inclusive, um argumento que alguém que se orgulha de ser comunista jamais deveria utilizar, disse que o PT é passado. Imagino que para ele a antiga União Soviética e a Albânia que o PC do B por tanto tempo defendeu sejam o futuro. É no mínimo patético, além de ingrato.

A atitude do Deputado Federal Orlando Silva, eleito graças aos votos da nominata de deputados federais do PT, é resultado de uma visão megalomaníaca de si mesmo e de seu partido. O PC do B não atingiu a cláusula de barreira na última eleição, só vindo a alcança-la após a fusão com o PPL e depois de realizar junto ao Tribunal Superior Eleitoral uma petição com esta finalidade. Lembra-me aquela piada politicamente incorreta sobre o melhor negócio do mundo: “comprar um argentino pelo preço que ele vale, e revendê-lo pelo que ele acha que vale”. Um dos problemas é que muitos jornalistas ouvem Orlando Silva, eleito com os votos do PT, por conta do preço que ele acha que vale.

É triste que alguém da esquerda, supostamente não negacionista, seja incapaz de ver coisas óbvias: que a ingratidão é uma das piores coisas que existe, que o seu partido caminha para deixar de existir e que ele só tem mídia para atacar o PT porque foi eleito com votos do PT. Não deixa de ser uma outra modalidade de negacionismo.

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