Tufão com ventos de 194 km/h atinge Japão
Tempestade na região de Kanto foi a pior: provocou chuvas recordes, deslizamentos e interrupções no transporte
O tufão Dujuan provocou fortes chuvas, deslizamentos e inundações no leste do Japão nesta segunda-feira, 21, com rajadas de vento de até 194 quilômetros por hora. A tempestade avançou pelo Pacífico, próxima à costa, e afetou principalmente a região de Kanto, onde ficam Tóquio e as prefeituras de Chiba e Kanagawa, além das ilhas Izu. A Agência Meteorológica do Japão previa que o sistema passasse próximo à península de Boso, em Chiba, a leste de Tóquio.
Até o fim do dia, quase 2 milhões de pessoas estavam sob ordens de evacuação em seis prefeituras. O número, porém, corresponde a moradores orientados pelas autoridades a deixar áreas de risco e não significa que todos tenham ficado desabrigados. Em Oshima, nas ilhas Izu, 72 pessoas estavam em abrigos no início da tarde.
Uma pessoa morreu em Miyazaki, no sul do Japão, segundo a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres. Também havia registros de feridos e buscas relacionadas a deslizamentos em áreas atingidas. Em Chiba, uma casa foi destruída e outra parcialmente danificada por deslizamentos.
A quantidade de chuva foi um dos principais fatores de risco. Em Izu Oshima, 672,5 milímetros de chuva caíram em 24 horas, um recorde para setembro no local. Em Kimitsu, na província de Chiba, foram registrados 324 milímetros. A previsão era de mais chuva nas horas seguintes, mantendo elevado o risco de deslizamentos e inundações.
O Japão está acostumado a esse tipo de fenômeno. Setembro é historicamente o mês de maior risco de danos provocados por tufões no país, que costuma registrar cerca de três impactos diretos por ano. O Dujuan é o 25º tufão da temporada e o décimo ciclone tropical a afetar o Japão desde junho.
A temporada deste ano, porém, ocorre sob uma configuração climática particular. O El Niño se desenvolveu no Pacífico tropical em 2026 e deve atingir intensidade elevada durante o segundo semestre, segundo a Organização Meteorológica Mundial. O fenômeno não “criou” o Dujuan, mas pode modificar as condições atmosféricas e oceânicas que influenciam a formação, a intensidade e a trajetória dos ciclones no Pacífico. Uma análise da Weathernews prevê atividade de tufões acima da média no Pacífico Noroeste neste ano e aponta o El Niño como um dos principais fatores climáticos envolvidos.
No caso do Dujuan, águas quentes associadas à corrente Kuroshio contribuíram para manter a força do sistema enquanto ele se aproximava do arquipélago. A previsão era de que o tufão começasse a perder força ao avançar para latitudes mais altas e entrar em uma região de maior cisalhamento do vento e águas mais frias.







