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Sobrevivência das onças-pintadas depende da preservação do território atual, diz especialista

Retaliações em biomas naturais intactos, decorrentes de obras e do agronegócio aumentam a pressão sobre o animal que já sumiu dos Pampas

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 23 mar 2026, 15h11 • Atualizado em 23 mar 2026, 16h11
  • Animal de grande porte, capaz de sobreviver a muitas ameaças, a onça-pintada está cada vez mais acuada no território brasileiro. Historicamente, o animal habitava todos os principais biomas brasileiros, estendendo-se do sul dos EUA ao norte da Argentina. Hoje, a maior concentração da população se restringe à Amazônia e ao Pantanal, está sob ameaça de extinção na Mata Atlântica, no Cerrado e na Caatinga, mas já foi eliminada no Pampa. A diminuição da presença do felino está relacionada ao acelerado desmatamento, provocado pelas obras de infraestrutura e principalmente pelo avanço do agronegócio.

    Em outras palavras: Amazônia e Pantanal funcionam como os principais refúgios da espécie no país. No caso da Amazônia, a vasta extensão contínua de floresta ainda garante áreas suficientemente grandes para a manutenção de populações viáveis. Já o Pantanal, apesar de menor, concentra uma das maiores densidades de onças-pintadas do mundo, graças à abundância de água e presas. A pressão crescente sobre esses dois biomas, seja pelo avanço do desmatamento, seja pelas queimadas e expansão da fronteira agrícola, coloca em risco não apenas populações locais, mas o futuro da espécie em escala nacional.

    A onça-pintada é um animal solitário e territorialista que necessita de vastas áreas para sobreviver, com territórios variando de 50 a mais de 1.000 para um único indivíduo, dependendo da disponibilidade de presas e habitat. “A retaliação das áreas verdes faz com que ela se exponha”, diz Felipi Feliciani,  líder da estratégia de biodiversidade terrestre da WWF-Brasil. Quando isso acontece, ela cai em grandes ciladas para as quais não está preparada. É o que aconteceu na última sexta-feira, quando uma onça caiu dentro de um canal de uma usina hidrelétrica no Assentamento Beleza, no município de Juscimeira, no Mato Grosso, no Cerrado. Como as paredes são lisas, ela não conseguia sair. Poderia morrer afogada, de cansaço, hipotermia e estresse, se não houvesse um resgate rápido e eficiente.

    Nem sempre esses acidentes possuem um final feliz. “Quando uma rodovia corta uma área preservada, há muitos atropelamentos”, alerta Feliciani. O aumento do plantio e das pastagens também significa ameaça imensa, porque sem espaço suficiente para transitar, acabam invadindo essas áreas e são frequentemente abatidas pelos fazendeiros. “A sobrevivência das onças-pintadas depende da preservação do território atual e da recuperação de áreas para criar corredores de conexão entre as regiões de biodiversidade natural.” A criação de passagens de fauna nas estradas também é fundamental e já faz parte da contrapartida das concessionárias frente à duplicação das entradas, mas nem sempre é cumprida. Há muitos interesses econômicos que fazem com que o problema seja empurrado para baixo do tapete e é por isso que dar visibilidade à onça-pintada como um grande ativo da biodiversidade é tão importante.

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