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Sob pior onda de calor em décadas, Austrália enfrenta risco de ‘incêndios catastróficos’

Segundo pesquisadores da Universidade de Melbourne, repetição de eventos extremos indica que país entrou em nova normalidade climática

Por Ernesto Neves 8 jan 2026, 13h13 • Atualizado em 8 jan 2026, 13h42
  • A Austrália atravessa, neste início de janeiro, uma das ondas de calor mais intensas e perigosas das últimas décadas, com temperaturas próximas ou superiores a 50 °C em diversas regiões, incêndios florestais fora de controle e alertas de risco “catastrófico” emitidos pelas autoridades.

    O episódio, que atinge quase todo o país, é descrito por meteorologistas como o mais grave desde a temporada devastadora de 2019–2020, conhecida como Black Summer, quando incêndios mataram 33 pessoas e devastaram milhões de hectares.

    O calor extremo se espalhou do oeste ao sudeste do país, impulsionado por uma massa de ar quente que atravessa o continente desde a Austrália Ocidental.

    Na costa do estado, cidades registraram temperaturas de até 49 °C. No sul e sudeste, áreas de Victoria, New South Wales e South Australia superaram com folga os 40 °C.

    Melbourne alcançou 40,9 °C, o dia mais quente em seis anos, enquanto Adelaide chegou a 43 °C e localidades do interior, como Walpeup e Hay, ultrapassaram 45 °C.

    Diante do cenário, Victoria decretou proibição total do uso de fogo e classificou esta sexta-feira como dia de perigo “catastrófico” para incêndios florestais, o nível máximo da escala.

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    Cerca de 450 escolas e creches permaneceram fechadas, estradas foram interditadas, parques públicos evacuados e serviços de transporte regional suspensos.

    Autoridades alertam que, sob esse grau de risco, incêndios tornam-se imprevisíveis, rápidos e praticamente impossíveis de controlar.

    Bombeiros de diferentes estados foram mobilizados para conter focos ativos em Victoria e em New South Wales.

    Um dos incêndios mais graves avança no Mount Lawson State Park, no nordeste de Victoria, já tendo consumido cerca de mil hectares e forçado comunidades inteiras a deixar suas casas.

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    No oeste, um incêndio fora de controle a cerca de 27 quilômetros de Perth levou à emissão de alertas de emergência, com impacto direto em rotas de evacuação.

    A combinação de calor extremo, ventos fortes e tempestades secas, com raios sem chuva, preocupa os serviços meteorológicos.

    Rajadas que podem chegar a 90 km/h elevam o risco de novos focos, enquanto a instabilidade atmosférica dificulta o combate aéreo.

    Segundo o Bureau of Meteorology, trata-se de um evento de vários dias, com potencial de agravamento, sobretudo no interior do sudeste australiano.

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    O impacto vai além do fogo. O sistema de saúde entrou em alerta máximo em Victoria, com serviços de ambulância declarando nível vermelho de resposta, o mais alto da escala.

    Houve aumento significativo nos atendimentos por problemas respiratórios, cardíacos e desidratação, além de registros de emergências evitáveis, como crianças deixadas em carros sob calor extremo.

    Autoridades de saúde reforçaram orientações para que a população permaneça em ambientes fechados, evite atividades ao ar livre nas horas mais quentes e intensifique a hidratação, especialmente idosos e pessoas com doenças crônicas.

    A crise também expõe desigualdades estruturais. Moradores de habitações públicas em Melbourne relatam dificuldades para lidar com temperaturas acima de 40 °C sem acesso a ar-condicionado, apesar de compromissos do governo estadual para equipar prédios residenciais até 2027.

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    Especialistas alertam que ondas de calor são um dos fenômenos climáticos mais letais e tendem a afetar de forma desproporcional populações vulneráveis.

    A fauna australiana também sofre. Organizações de resgate registraram centenas de mortes de filhotes de morcegos e alertam para o risco de desidratação fatal em diversas espécies.

    Autoridades ambientais pedem que a população disponibilize água em locais sombreados e redobre a atenção em estradas, onde animais buscam fontes de água.

    O episódio ocorre após a Austrália registrar, em 2025, seu quarto ano mais quente da história, com temperatura média nacional 1,23 °C acima do padrão histórico.

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    Cientistas do clima apontam que o aumento da frequência e da intensidade de ondas de calor e incêndios florestais está diretamente ligado às mudanças climáticas provocadas pelas emissões de gases de efeito estufa.

    Segundo pesquisadores da Universidade de Melbourne, a repetição de eventos extremos em intervalos cada vez menores indica que o país entrou em uma nova normalidade climática, mais quente, mais seca e mais perigosa.

    Embora a população busque alívio em praias, rios e piscinas públicas, as autoridades reforçam que o pior ainda pode estar por vir.

    Para os serviços de emergência, a sexta-feira marca o ponto mais crítico deste episódio, reacendendo memórias recentes de um passado que a Austrália esperava não reviver tão cedo.

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