Oferta Relâmpago: Veja por 7,99

Senado diminui proteção de floresta no Pará

PL flexibiliza o uso de uma área quase do tamanho do DF para agropecuária e mineração

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 17 jul 2026, 19h20 | Atualizado em 17 jul 2026, 19h26
Senado diminui proteção de floresta no Pará Priorizar nos meus resultados Google

Enquanto o Brasil tenta consolidar a imagem de liderança mundial no combate às mudanças climáticas, o Senado trabalha na direção oposta, ao aprovar a redução de 37% da Floresta Nacional do Jamanxim, no sudoeste do Pará. A medida flexibiliza o uso de uma área quase igual a do Distrito Federal, permitindo  atividades como agropecuária, mineração e regularização fundiária. O PL 2.486/2026 é de autoria do deputado federal Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL) e depende ainda da sanção do presidente Luiz Inácio da Silva.

A mudança ocorre justamente em um momento em que o governo brasileiro vem defendendo, nos fóruns internacionais, que a floresta em pé deve ser encarada como um ativo econômico global. Durante a COP30, realizada em Belém, Lula apresentou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Facility – TFFF), mecanismo internacional criado para remunerar países que preservam suas florestas e mostrar que  floresta é pé vale mais do que devastada. A proposta parte do princípio de que conservar ecossistemas estratégicos custa caro e que a comunidade internacional deve compartilhar esse financiamento. 

A Floresta Nacional de Jamanxim foi criada em 2006 justamente para conter o avanço da ocupação desordenada ao longo da BR-163, um dos principais corredores de expansão agropecuária da Amazônia. Duas décadas depois, o Congresso diminui a proteção, com o argumento de resolver conflitos fundiários históricos e oferecer segurança jurídica a ocupações consolidadas. 

O Ministério do Meio Ambiente, em nota, afirmou que a Flona do Jamanxim alertou que a redução da proteção pode aumentar as pressões relacionadas à grilagem, ao corte ilegal de madeira, ao garimpo e à perda de vegetação nativa. A pasta também defendeu que mudanças dessa magnitude deveriam ser precedidas de estudos técnicos robustos, ampla participação social e respeito ao princípio constitucional da vedação ao retrocesso socioambiental.

O episódio evidencia um dos principais desafios da política ambiental brasileira: conciliar a agenda internacional de preservação climática com as pressões domésticas por expansão econômica e regularização fundiária na Amazônia. Em um cenário de aquecimento global, no qual governos e cientistas defendem que preservar as florestas existentes é uma das medidas mais eficazes para reduzir emissões de carbono e proteger a biodiversidade, a discussão sobre o futuro do Jamanxim ultrapassa os limites de uma unidade de conservação e passa a simbolizar o equilíbrio — ou a tensão — entre desenvolvimento e conservação.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo e branco, ao lado de Você pediu, a gente ouviu! em branco. À direita, capas de revistas e um celular com tela ligada, e um ícone de árvore à esquerda.Banner laranja com texto OFERTA RELÂMPAGO em amarelo neon, acompanhado de um raio. Abaixo, Você pediu, a gente ouviu!. À direita, capas de revistas: SUPER com um copo de milk-shake, VEJA com paisagem e MUNDO ESTRANHO com carros. Um ícone de árvore estilizada no canto superior direito
MELHOR OFERTA

Digital Básico

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).